Para melhor aproveitamento interno do Compartimento F do CA-10 – o de entrada e saída de passageiros e carga – foram instalados dois cofres, construídos em compensado naval, um de cada lado da aeronave. Os cofres se estendiam, lateralmente, desde a parede divisória entre os Compartimentos E e F, até ao final deste com a divisória do compartimento G – o do Túnel.

O compensado naval (de 10 mm de espessura) permitia que o formato dos cofres acompanhasse as formas curvas das laterais do casco do Catalina. Perfis em cantoneira de alumínio reforçavam a estrutura e apresentavam um acabamento mais refinado nas bordas das tampas dos cofres. Uma longa dobradiça, em alumínio anodizado (tratamento dado ao alumínio), se estendia por todo o comprimento da tampa de cada cofre, permitindo ampla abertura com deslocamento angular de 90 graus.

O cofre do lado direito da aeronave permitia que, no seu interior, fossem armazenados os equipamentos de sobrevivência/emergência tais como: os coletes salva-vidas e um bote inflável, com capacidade para até 20 pessoas, o qual continha rações liofilizadas, filtro destilador de água salgada, rádio portátil de comunicação terra-ar (com transmissão automática de SOS) – o “Gibson Girl” modelo AN/CRT3, balão inflável a gás não inflamável para estender a antena do rádio portátil, pastilhas para tratamento da água, sinalizadores de fumaça, materiais de primeiros socorros, etc. Sobre a tampa deste cofre ficavam acondicionadas as bagagens da tripulação.

O cofre do lado esquerdo servia como degrau de escada para o acesso de entrada e saída da aeronave. No seu interior, ficavam guardados a caixa de ferramentas, os calços da aeronave, e o pau-de-carga, cada um com sua finalidade específica.

Antonio Sizo Filho

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Sobre o AutorAntonio SIZO Filho é Engenheiro Eletricista e exerce suas atividades em Belém/PA. Nascido, em 05 de julho de 1934, na cidade de Igarapé-Açu/PA, filho de Antonio Sizo Fidalgo e Laura Teixeira Sizo. Ingressou, na Aeronáutica, em 24 de maio de 1953, como Soldado de 2ª Classe (S2 QIG FI 531002-17), na Companhia de Infantaria de Guarda do Parque de Aeronáutica de São Paulo (PAMASP), em São Paulo/SP. Realizou o Curso de Formação de Cabos, no PAMASP, no período de julho a dezembro de 1954, graduando-se com Cabo Almoxarife. Em 30 de dezembro de 1955, foi classificado no 1º/2º Grupo de Aviação (1º/2º GAv.)., em Belém/PA. Em 24 de janeiro de 1958, foi aprovado no Exame de Admissão à Escola de Especialistas da Aeronáutica, em Guaratinguetá/SP, e matriculado em 03 de março de 1958. Formou-se, em 21 de dezembro de 1959, sendo promovido a 3º Sargento Mecânico de Voo (3S QAV) e classificado no 1º/2º GAv., em Belém/PA, em 22 de dezembro de 1959. Promovido a 2º Sargento, em 14 de abril de 1965, e a 1º Sargento em 14 de abril de 1972. Integrando a Equipe Bacurau (*), cursou Engenharia Elétrica, na Universidade Federal do Pará, em Belém/PA, formando-se em dezembro de 1972. Passou para a Reserva da Aeronáutica em 1974, na Graduação de 1º Sargento.

É o protagonista de façanha inusitada, de extrema coragem e afirmação de capacidade profissional, em missão como 2º Mecânico de Voo, no CA-10 6526, registrada com o título “Um táxi monomotor no Rio Içá” na Categoria “Estórias” deste Web Site.

(*)Equipe Noturna de Manutenção do 1º/2º GAv., integrada por militares universitários, que cumpria sua rotina de trabalho no período noturno dos dias úteis e no diurno dos fins de semana e dos feriados, a fim de poder frequentar a Faculdade no horário do expediente da Unidade de segunda a sexta-feira.

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