Cap Gueller

Lá vem um Comariano! E, de um a um, lá vem uns!

Uns de tantos se ajuntam, na estação do aeroporto, aguardando a viagem!

Vêm de casa enfatiotados; “polícia” ao lado com os filhos...

Lógico, ela “rezando” a ladainha completa de “recomendações”.

E, com especial devoção, aquela “não se esqueça de mandar sempre o dinheiro no fim do mês”!

“Pegou a rede?”

Nessa hora, os “viajantes” juram suas próprias santidades e o pagamento certo!

Começam os risos soltos e as elocubrações de como estará o “trecho” que irão “arar”...

Papo para disfarçar o tal avião atrasado: – “Dessa vez o que será que vai dentro do avião?”

Cachorra” cheia entregue e pesada! Soldado jogou dentro do carrinho; depois, dentro do avião, que chegou atrasado...

Ou terá sido o Comariano que chegou cedo demais?

Eterno dilema...

Sai o voo da sede, o primeiro!

Chega o voo, parado na metade, primeira parada!

Do avião para o ônibus!

Cachorra” no alojamento, “polícia” longe, a “procissão” segue rumo ao tal bar da encruzilhada...

É esse bar mesmo onde a “autoridade” faz “batida”...

Amesendados! Todo mundo já está esperto! Onde já se viu peão trouxa?

Tradicional berro: – “A primeira”! A dona já sabe: “Gelada”...

Peão nem olha a marca: Depois da primeira, todas são iguais!

Iguais “gatos” na noite...

Papo começa a “empinar” igual pipa! Só vantagens, presepadas, espertezas... Todo tipo de “arte” e “mirabolanças”! Sobre todas as mulheres da “paróquia” do canteiro.

Peão que é Peão não perde uma! Ganha todas... Se não, não é Peão!

Garrafas secando, pressão aumentando, olhar procurando as “quengas” no bar... E, com cuidado, para não se enganar!

Tomadas “todas” as “louras”, nada mais resta a não ser o caminho de volta achar!

Ficará para a próxima vez aquela conquista “maquinada”. Peão ficou “liso”!

A viagem vai ter de seguir daqui a pouco!

Madrugada... Alojamento em atividade, as “cachorras” refeitas!

“Tem sempre aquele enjoado que põe a gente no aeroporto às quatro horas da madrugada...”.

"Tem sempre um enrolado, atrasado!"

“Avião deveria sair depois do meio-dia!”

A viagem vai seguir... Tudo de novo, com os sacos com cadeados a nó!

O tal voo, sempre atrasado! Avião abre a rampa! É carga, equipamento.

Segue o voo, saindo da parada, o segundo!

Peão vai falando, pensando:

– “Esse voo que não se acaba, tá danado!”

– “Diabo desse estômago estragado, embrulhado”!

– “Quem foi?”

– “Nem tem saco plástico aqui”!

– “Esse avião tá dando volta no mundo”!

E tanto para esquecer-se de ontem à noite!

– “A coisa tá feia”... A “macaca” vai “ferrar”!

Avião dá sinais que vai baixar:

– “Até que enfim! Não tava dando mais...”.

Tudo ressaca...

C47 embarque

Chega! O avião rola... Vai parando, abre a rampa. Parado!

Peão vai pulando, gritando: – “Onde é o banheiro?”

Beira do mato! Quente que só!

Enjoado que estava esperando o avião, grita: “Péra lá”! Tem que descarregar o avião! “Cachorra machucada” debaixo da asa. Chuva chegando, Peão agitando, descarregando e a água descendo e... molhando!

Até que enfim! Alojamento, banho e rancho!

– “Como é a cidade aí?” “Dá para encarar?

É bom ir devagar...

Primeira volta na “paróquia” e todo mundo já viu com quem vai se “armar”! Peão que é Peão não chegou aqui para “bobear”!

Caterpilar

Dormiu! Acordou o canteiro! Café... Pulou no seu equipamento!

CBT pra cá, “Meloso” completando, Patrol acelerando, Pá Mecânicabatendo os braços” para limpar a concha, Trator de Esteiras demorando “que só”, um enjoando “botando quente” dizendo que tá tudo atrasado, eletricista “chupetando” a bateria arriada, Peão resmungando, ressaca anuviando os olhos, caçambas já na reta do campo e uma levando peões e “cataraiz”; mais peõesmata-cobra” na rabeira da “Toyota”, Scraper sai com tudo, aí o enjoado grita: “Trator não é pra passear!” e o peão caroneiro pula fora, pula de cima do Rolo Pé-de-carneiro também, mecânico rezando pra mangueira não estourar e motor nenhum parar, carro-pipa vai mais tarde que o sereno molhou a terra; no trecho, poeirão levanta, peão fazendo acontecer, faz isso, faz aquilo, de repente, faz até o que não deve fazer, faz tudo; em cima da máquina pensa em voltar pra casa, mas se é Sábado pensa onde é que “vai se dar bem à noite” e aí já vai juntando outros, à noite a lambança vai começando, o som agitando, garrafas rolando e as “eleitas” amando... Porque o mundo vai sempre girando e...

Os dias vão se passando! O peão o mato foi “rancando”, foi o solo “socando” depois foi “alisando” e o asfalto lançando! A obra foi caminhando! A saudade apertando, o dinheiro foi mandando, as etapas se acabando, o canteiro se fechando, “jacaré” já tá esperando, o Chefe inaugurando, o peão já vai voltando, os “amores” dispensando e na outra já pensando, saudoso disso tudo se acabando e sabendo que na outra “parada” a “gelada” já vai gelando!

Meninos

Segue assim... Tudo vai sempre recomeçando!

Segue assim, sempre trabalhando...

                                                                                                                                       ... O Peão Comariano!

 

Vista do Porto "Brucutu", em Belém/PA

Marcilio Gueller Pellegrini

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Sobre o Autor: Marcilio GUELLER Pellegrini é Cap. QOEA SVM da Aeronáutica. Formado Sargento Especialista de Instrumentos (QAT IT) da FAB, pela Escola de Especialistas da Aeronáutica, em 1969, iniciou sua carreira militar, servindo na Amazônia, onde permaneceu durante toda sua carreira militar de 36 anos. Pertenceu ao efetivo do Parque de Aeronáutica de Belém (PARAER/BE) (oito anos), do 1º Esquadrão de Transporte Aéreo (1º ETA) e da Base Aérea de Belém (BABE) (oito anos), e da Comissão de Aeroportos da Região Amazônica (COMARA) (vinte anos). Formou-se em Engenharia Mecânica, na Universidade Federal do Pará, em 1981. Passou para a Reserva da Aeronáutica, em 10 de janeiro de 2006.

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