Tabatinga, Alto Amazonas, tríplice fronteira Brasil/Colômbia/Peru. A tripulação do CATALINA estava preparando o avião para o pernoite após um dia inteiro de trabalho.

w h 6317 tabatingaVista Aérea de Tabatinga/AM (Foto de 2008)

O Comandante é avisado da chegada de uma mensagem solicitando a ida de um avião até a localidade de Ipiranga, às margens do rio de mesmo nome, situada na grande geodésica que separa o Brasil da Colômbia, e sede do então 2º Pelotão de Fronteira do nosso Exército.
Missão: trazer para Tabatinga uma menina que tinha se acidentado ao colocar a mão em uma máquina de moer cana. Urgência: caso não fosse resgatada em tempo, haveria a possibilidade de gangrena com possível amputação da mão.
Na impossibilidade de pousar noturno no rio, ficou decidido que a decolagem seria noturna de Tabatinga, para chegada em Ipiranga ao nascer do Sol.
Assim foi feito, porém, ao chegar ao destino o tempo estava execrável. Havia uma camada de baixos estratos, fina, de cor leitosa, que cobria quase que todo o horizonte. Entre uma e outra esparsa abertura, adivinhava-se o rio e a vegetação de cor verde escura, acentuada pela baixa luminosidade. A primeira dificuldade era identificar exatamente onde se estava. Isso teria que ser feito pela observação das curvas do rio.
Após alguma procura, apareceu na cota das árvores que margeiam o rio um pequeno espaço em que se poderia passar e que permitiu a identificação positiva do terreno.
Preparado o avião, flutuadores baixados, e idealizado o tráfego para a amerissagem, o CATALINA foi levado por cima da camada até um buraco que permitisse passar para baixo; ali foram reduzidos os motores, picado o avião, furada a camada, e, quase que imediatamente, seguiu-se o pouso no rio. Sem que se parassem os motores, a menina foi embarcada e realizada uma decolagem imediata!

2PFront Ipiranga AM IBVista Aérea do 2º PelFront, em Ipiranga/AM (Foto de 2007)

Cinquenta minutos depois o CATALINA pousou em Tabatinga onde uma ambulância levou a garota para o Hospital do Exército...
Quinze dias depois, voltando a Tabatinga, fui até o hospital. Lá, soube que a menina tinha se restabelecido e não havia perdido a mão...

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Sobre o Autor: Dion de Assis Távora – Cel. Av. Refm – Nascido, em 16 de março de 1939, na cidade de Campo Grande, em Mato Grosso, ingressou na Aeronáutica, em 01 de março de 1956, na Escola Preparatória de Cadetes do Ar – Barbacena/MG. Formado Aspirante-a-Oficial Aviador, na Academia da Força Aérea – Pirassununga/SP, em 16 de dezembro de 1961, serviu na Amazônia, como integrante do efetivo da Base Aérea de Belém (BABE), sediada em Belém/PA, no período de maio de 1974 a janeiro de 1978, exercendo as funções de Comandante do Esquadrão de Material, do Esquadrão de Comando, do Grupo de Serviços de Base, e do Esquadrão de Suprimento e Manutenção; serviu também no Parque de Aeronáutica de Belém (PAMABE), como Chefe do Departamento Administrativo, no período de fevereiro de 1979 a janeiro de 1982, dirigindo e supervisionando inúmeras ações e atividades pertinentes à desativação dos PBY CATALINA da FAB. Passou para a Reserva da Aeronáutica em agosto de 1991.

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