A Esquadrilha da Fumaça, como é conhecido o Esquadrão de Demonstração Aérea da Força Aérea Brasileira (EDA), estava fazendo uma série de demonstrações pela Amazônia, com seus NORTH AMERICA T-6D, no ano de 1974.

Fumaça

Na ocasião, fui escalado para dar o apoio ao EDA, num deslocamento de Belém/PA para Manaus/AM, no comando de um C-47 do 1º Esquadrão de Transporte Aéreo (1º ETA). Transportávamos a Equipe de Manutenção da Esquadrilha – chamada de “Anjos da Guarda”, ferramentas e equipamentos, algum suprimento, óleo lubrificante, etc. Os T-6D iam à frente, em rota, e nós os seguíamos...

Na chegada a Santarém/PA, foi dada a falta de uma das aeronaves que ali não pousara!

Decolamos de volta, fazendo busca por todos os campos de pouso da rota Santarém/Belém. Quando sobrevoávamos o aeródromo de Breves, localizado na..., avistamos um T-6D ali pousado... Realizei algumas passagens baixas sobre a pista e decidimos que iríamos pousar... Se a nossa missão era dar apoio à “Fumaça”, faríamos tudo o que fosse necessário!

A pista era muito curta, estreita, e não constava do histórico de nenhum dos integrantes da tripulação um pouso de C-47 na mesma. O 2P era um Asp. Av. que tinha recém concluído o Curso Básico na “Garça” (como diz o MALLET)... Porém, a minha experiência de voo e a confiança no avião era tanta que não pensei duas vezes e decidi: vou pousar! E, assim fiz...

Ao tocar o solo, observamos não haver mais que um palmo de pista para os lados das rodas do trem de pouso principal! Conseguimos parar no final da pista, sem vará-la, onde fiz um giro de 180º e ali mesmo ficamos...

Motores cortados, os “Anjos da Guarda” foram resolver o problema do T-6D. O Piloto era o Cap. Av. CURTISS (Paulo Roberto Curtiss Salomão) – o Chefe de Operações do EDA – que nos disse ter sua aeronave estourado a gaxeta de vedação de óleo da hélice, vasando o mesmo para o para-brisas e impedindo sua visão... Assim, não havia outro jeito! Teve sorte de encontrar a pista de Breves e ali pousar. E acrescentou: - “Pra variar, o alcance do VHF do Centro Belém e de Santarém não alcançavam a comunicação com o “potente” rádio do T-6”. Ou seria o inverso!

Porém, registramos o sucesso dessa Missão: “Estava homologada a pista de Breves para aeronaves até o tipo DC-3 DOUGLAS DAKOTA”...

Breves Pista

Imagem aérea da pista de Breves... Mas... Em 2011!

Breves

Imagem aérea de Breves (*) (Foto 2014)

(*)Breves: município brasileiro do Estado do Pará, localizado a sudoeste da Ilha de Marajó, na latitude 01º40'56" Sul e longitude 50º28'49" Oeste, distante 222 Km de Belém.

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Sobre o Autor: Selmar Luiz Altomar – Cel. Av. Refm. – Nascido, em 27 de abril de 1945, em Minas Gerais. Ingressou na Aeronáutica, em 08 de março de 1962, na Escola Preparatória de Cadetes do Ar, em Barbacena/MG. Formado Aspirante-a-Oficial Aviador, na Academia da Força Aérea, em Pirassununga/SP, em 31 de maio de 1968. Serviu na Amazônia, no Posto de 1º Ten. Av., como integrante do efetivo do 1º Esquadrão de Transporte Aéreo (1º ETA), sediado na Base Aérea de Belém (BABE), em Belém/PA. 

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