Fico extremamente feliz em saber que o Mestre está atento ao que se passa cá por estas bandas...

Não sabia que o amigo tinha, assim como eu, se desligado das fileiras da Força Aérea Brasileira (FAB). Tomei conhecimento hoje, lendo o e-mail que você mandou para o Cel. Ary se propondo a contribuir nos contos de “causos”, pelos quais você tenha passado, contribuído, ou presenciado.

LunaAgo2010O “Amigão” LUNA (segundo da direita para a esquerda), com outros Amigões Catalineiros... E, o segundo da esquerda para a direita, é o Gilberto BITAR...

Minha saída se deu por volta de dois anos e meses após ter concluído o Curso de Engenharia Elétrica, na Universidade Federal do Pará (UFPA). No meu caso, não foi nada fácil, pois, na época eu já tinha percorrido um longo caminho dentro da Instituição...

Ingressei como S2 QIGFI, em junho de 1953, e permaneci até o ano de 1974, saindo na Graduação de 1S QAV. Naquela oportunidade, a FAB não me dava a chance de exercer a Engenharia como Graduado e nem a de ascender ao Quadro de Oficiais na Especialidade de Engenharia Elétrica.

As tentações começaram a aparecer no 4º ano do curso, quando dois professores oriundos do Rio de Janeiro, que vieram ministrar matérias no curso de graduação, me incentivaram a fazer a pós-graduação no Rio, na Ilha do Fundão. Logo depois, fui convidado a participar de provas de seleção para atuar como Professor Auxiliar de Ensino na área de elétrica da UFPA...

Sendo aprovado, fui designado para ajudar o professor de “Teoria Eletromagnética I e II”. Nesse caso, havia uma incompatibilidade de horários UFPAFAB.

Meses depois, uma indústria de fabricação de pisos cerâmicos me convidou para trabalhar com eles, oferecendo um salário duas vezes maior do que eu recebia na Aeronáutica, mais vantagens adicionais... Foi a gota d’água!

Incontinente, pedi que aguardassem até a conclusão da tramitação de meu pedido de passagem para a Reserva...

Com minha saída da FAB, passei a exercer a função de engenheiro de manutenção da fábrica de pisos e a de auxiliar de ensino na UFPA. Foi um início duríssimo porque por alguma razão o professor da UFPA teve que se ausentar, por longo período, sobrando para mim a obrigação de levar conhecimento aos novos alunos. Para que tenha uma ideia da rotina diária a coisa se passava assim: às seis da manhã, acordava para levar os três filhos para o colégio; em seguida, rumava para a UFPA e ministrava duas horas de aula, saindo direto para a indústria que ficava no Município de Marituba; para compensar as duas horas dedicadas como professor, meu horário de expediente terminava por volta das 20:00 horas...

Tudo bem se não houvesse nenhum problema de manutenção na linha de produção, coisa rara, pois, a fábrica funcionava 24 horas/dia. Um forno a gás, com temperatura de 2.000°C, não podia deixar de queimar novos pisos ou refugos de piso, para que suas peças internas não sofressem danos... Se desligado, só poderia voltar a funcionar ao atingir a “temperatura de queima”, coisa que levava de quatro a cinco dias. O resfriamento, assim como o aquecimento, tinha obrigatoriamente de ser lento...

Ao chegar em casa, ainda tinha que estudar bastante e preparar as aulas do próximo dia, tarefas que me levavam, na maioria das vezes, até às 04:00 horas...Dormia duas e tudo começava outra vez!

Certo dia do ano de 1976, encontrei com o SO QAT SE RODRIGUES ALVES que estava na reserva e trabalhando na ESTACON, a convite do Gilberto BITAR – Diretor de Operações da empresa. Nosso encontro casual deu-lhe a oportunidade de transmitir um recado do GILBERTÃO, apelidado carinhosamente de “CAMELO” no meio Catalineiro. O convite era para que eu fosse trabalhar com ele em Goiânia/GO, numa empresa de terraplenagem recentemente adquirida pela ESTACON – a COTERRA...

A oferta foi irrecusável! Parti para Goiânia, onde permaneci por quatro anos na função de Chefe de Manutenção de Máquinas Pesadas e Transporte. Ao voltar para Belém, ainda na ESTACON, procurei formar uma equipe efetivamente ligada à parte de instalações elétricas de obras, e, dando apoio à parte de orçamentos para participação de licitações. Esse embrião evoluiu e estivemos presentes em grande maioria das obras ganhas na Amazônia, cobrindo: Manaus/AM, Boa Vista/RR, Porto-Velho/RO, e Macapá/AP.

Agora, estou contribuindo com meu trabalho em uma empresa chamada Círio Construtora e Serviços Ltda., aqui em Belém. Estamos indo, procurando não deixar a peteca cair!

Se bem que, aos “7.9”, estou merecendo um pouquinho de descanso! SERÁ? O problema é como me manter com aposentadoria de R$2.000,00 que recebo do INSS... Não tenho “CACIFE” para parar! Comigo estão filha e neta que, no fim do ano, prestará vestibular... Vamos remando até encontrar uma margem mais sólida neste rio de água revoltas!

Pois é, Amigão! Estas são algumas das minhas notícias...

E, como falei no Cel. Ary, resolvi lembrá-lo aqui:

CelAry

Fev. 1966 – Em frente ao T1, na BABE... O Oficial de Dia, ele com seu neto mais velho Pedro e eu!

Ah! Gosto do como você escreve.... Simples, direto, esclarecido, como no Artigo “Pane da bomba de gasolina em Uaupés”... Dá gosto de ler!

Que Deus te ilumine sempre!

Um forte e fraterno abraço,

Caboclo Sizo

Antonio Sizo Filho

*************************************************

Sobre o AutorAntonio SIZO Filho é Engenheiro Eletricista e exerce suas atividades em Belém/PA. Nascido, em 05 de julho de 1934, na cidade de Igarapé-Açu/PA, filho de Antonio Sizo Fidalgo e Laura Teixeira Sizo. Ingressou, na Aeronáutica, em 24 de maio de 1953, como Soldado de 2ª Classe (S2 QIG FI 531002-17), na Companhia de Infantaria de Guarda do Parque de Aeronáutica de São Paulo (PAMASP), em São Paulo/SP. Realizou o Curso de Formação de Cabos, no PAMASP, no período de julho a dezembro de 1954, graduando-se com Cabo Almoxarife. Em 30 de dezembro de 1955, foi classificado no 1º/2º Grupo de Aviação (1º/2º GAv.), em Belém/PA, dando início aos seus dezenove anos ininterruptos servindo à FAB na Amazônia. Em 24 de janeiro de 1958, foi aprovado no Exame de Admissão à Escola de Especialistas da Aeronáutica (EEAer), em Guaratinguetá/SP, e matriculado em 03 de março de 1958. Formou-se, em 21 de dezembro de 1959, sendo promovido a 3º Sargento Mecânico de Voo (3S QAV) e classificado no 1º/2º GAv., em Belém/PA, em 22 de dezembro de 1959. Promovido a 2º Sargento, em 14 de abril de 1965, e a 1º Sargento em 14 de abril de 1972. Integrando a Equipe Bacurau (*), cursou Engenharia Elétrica, na Universidade Federal do Pará, em Belém/PA, formando-se em 1972. Passou para a Reserva da Aeronáutica em 1974, na Graduação de 1º Sargento.

(*)Equipe Noturna de Manutenção do 1º/2º GAv., integrada por militares universitários, que cumpria sua rotina de trabalho no período noturno dos dias úteis e no diurno dos fins de semana e dos feriados, a fim de poder frequentar a Faculdade no horário do expediente da Unidade de segunda a sexta-feira.

É o protagonista de façanha inusitada, de extrema coragem e afirmação de capacidade profissional, em missão como 2º Mecânico de Voo, no CA-10 6526, registrada com o título “Um táxi monomotor no Rio Içá” na Categoria “Estórias” deste Web Site.

*************************************************