Em 11 de maio de 1969, decolamos de Manaus/AM para cumprir a LIA-4 Solimões, com extensão extra até Palmeiras – no Rio Javari/AM, para visita de inspeção de Oficiais do Grupamento de Elementos de Fronteira (GEF), sediado em Manaus, aos Pelotões de Fronteira de Estirão do Equador (4º PelFront) e de Palmeiras. Essa comitiva era composta por um Tenente Coronel e três Majores do efetivo do Estado-Maior do GEF. Com pousos em Tefé/AM e SBUI, chegamos a Tabatinga/AM, onde pernoitamos.

6525 GAV

A Aeronave: CA-10 6525

A Tripulação: Cel. Av. PROTÁSIO Lopes de Oliveira – CMT

Cap. Av. Ary Pereira Barbosa- IN

Cap. Esp. Av. Rolando CHALÚ Pacheco – Tripulante Extra

2S QAV Márcio Fúlvio RODRIGUES – 1MC

3S QAV Daniel Vieira TERNES – 2MC

2S QRT VO LEONARDO Messias Borges– 1RT

3S QRT VO DELMO Mauro – 2RT

Manhã seguinte, decolamos para Palmeiras, aonde chegamos após 01:50 hs de vôo. Após o pouso – piso de terra molhada e escorregadia – o CA-10 6525 atolou no final da pista. Enquanto a visita de inspeção era realizada, a aeronave foi rebocada por um trator para a posição de decolagem na cabeceira oposta.

Na primeira tentativa de decolagem, não saiu do chão. Do local em que parou foi rebocado, de marcha-ré, até a posição original na cabeceira da pista.

Para diminuir o peso de decolagem, foi retirada a carga e foram desembarcados os passageiros civis (destinados a Estirão do Equador), ficando a aeronave com 25.735 libras de peso.

Foi colocado um pouco de piçarra, na faixa de corrida de decolagem, até uma distância de 400 metros da aeronave estacionada e o trator foi utilizado na tentativa de compactar esse trecho.

O sol ajudou, secando um pouco o terreno e, numa segunda tentativa, decolamos insatisfeitos: a carga e os passageiros civis para o Estirão ficaram em Palmeiras!

Amerissamos, em Estirão – uma hora de vôo desde Palmeiras – e os olhares brilhantes de expectativa dos que nos aguardavam se apagaram numa opacidade de resignação comum aos Bravos e Abnegados Amazônidas no contato com sua dura realidade de isolamento. Nada para eles no avião deste mês!

Durante a visita de inspeção, O Cmt. do Pelotão aproveitou um momento em que estávamos juntos e cochichou: – “Puxa, Ary! Porque não “descarregou” esse “amigo azul” lá ao invés da nossa carga e dos nossos passageiros?

Não tive resposta, mas, fora hoje também não a teria...

Porém, pensaria a título de consolo:

Nem tudo é o que parece... O difícil torna-se  fácil... O impossível acontece... E, pau podre... quebra p’rá cima!” na Nossa Amazônia!

Palmeiras

Palmeiras do Javari/AM (Foto de 2005)

Ary P. Barbosa

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