Geraldo – um jovem adolescente carioca, alegre e brincalhão, embalava nos sonhos as expectativas dos seus quatorze anos. Seu pai, Joaquim Flores, casado com Adélia Monteiro Flores, era livreiro e proprietário de uma livraria na Rua do Ouvidor, no centro do Rio de Janeiro. Morava o jovem na Conselheiro Zenha, no bairro da Tijuca, rua de pequena extensão e que desembocava na Rua Visconde de Figueiredo. Estudava no Instituto Laffayette, situado na Rua Haddock Lobo, e ia e voltava a pé de casa para a escola.

Laís, nascida em Areal (então Distrito de Petrópolis/RJ), linda menina no desabrochar dos seus dez anos, morava numa casa da Rua Visconde de Figueiredo, também situada no bairro da Tijuca. Sua avó - Antônia Marinho – era proprietária de um hotel, em Areal (Distrito de Petrópolis/RJ), local onde sempre passava as suas férias escolares.

Hotel

Fachada do hotel da Vó Antônia, em Areal (foto de 1889)

Geraldo, nas idas e vindas do Instituto Lafayette, passava pela casa de Laís e, sempre que a via, impressionado dizia: – “Algum dia eu vou te namorar!”. Dessa brincadeira (ou será que não era?) surge uma simpatia e um “namoro” (nos moldes de então, pois, o “ficar” ainda não tinha sido criado...).

Concluídos os cursos no Instituto Lafayette, Geraldo presta concurso, em 1941, e ingressa na Escola de Aeronáutica, no Campo dos Afonsos – Rio de Janeiro/DF, para seguir a carreira de Oficial Aviador da Força Aérea Brasileira. Declarado Aspirante-a-Oficial Aviador, em 1943, foi designado para servir no 1º/2º Grupo de Aviação (1º/2º GAV) – Unidade de Emprego da Aviação de Patrulha da FAB, sediado na Base Aérea de Belém, em Belém/PA.

AspOfAv Geraldo

O Asp Of Av GERALDO, com dedicatória para a Vó Antônia

Em 20 de dezembro de 1944, casou-se na Igreja de São José, situada na rua 1º de março, no Rio de Janeiro, com sua paixão desde os quatorze anos – a jovem Laís Moreira, indo o casal residir em Belém/PA.

Casamento

Casamento do 2º Ten Av Geraldo e Lais (Foto de 20/12/1944)

O Ten Av GERALDO era considerado, por todos os seus companheiros, um indivíduo muito alegre, comunicativo, brincalhão, sociável, e com grande poder de liderança.

Amigos 1945

O 2º Ten Av GERALDO e Amigos do 1º/2º GAv (Foto de 1944)

A residência do casal em Belém era chamada de “Pensão PIF PAF”, local de congraçamento familiar dos Catalineiros de então (casados ou solteiros). Uma vez por semana, ali havia um animado convescote (com jogo de cartas, seguido de um jantar), sendo contumazes participantes os Ten Av Haroldo Coimbra VELOSO e Esposa, RUBENS Florentino Vaz e Esposa, e Hilton MANNES e Esposa.

Ten Geraldo e Esposa

O 2º Ten Av GERALDO e sua esposa LAÍS, à porta de sua residência – a Pensão PIF PAF, em Belém/PA (foto de 1945)

Em junho de 1945, o 2º Ten Av GERALDO é designado para comandar a tripulação do PBY-5 FAB 05, em viagem aos EUA, a fim de realizar uma Revisão Geral IRAN na aeronave na cidade de Filadélfia, na Pensilvânia/USA. Compunham essa sua tripulação: 2º Piloto – Asp Av Haroldo Vicente Franze, 1º Radiotelegrafista – 1S QRT TE Pedro de Souza Garcia, 2º Radiotelegrafista – 2S QRT TE Lourival Gomes da Silva, Armamento – 2S QAR Jorge Alves dos Santos, e Tripulante Extra – 3S QFT Romeu Cardoso da Silva.

O 2º Ten Av Geraldo com a sua esposa e o FAB 05, um dia antes de sua partida para os USA (foto de junho de 1945)

Durante escala da viagem na cidade de Miami, na Florida, o Ten. GERALDO enviou um telegrama a sua esposa Laís, com as seguintes palavras:

“Cheguei Bem! Tudo transcorrendo de acordo com o planejado. Te Amo minha Caturrita...”

Foram suas últimas demonstrações de amor e carinho com sua querida esposa...

No dia seguinte – 03 de julho de 1945, o FAB 05 decolou, com destino ao aeródromo da Filadélfia. Às 15:00 horas, já em voo de cruzeiro e sobrevoando a área de Wilmington – North Carolina/USA, em meio a formações pesadas de nuvens cúmulus nimbus e descargas elétricas, a aeronave perdeu o contato-rádio com as estações de controle de terra e desapareceu.

No acidente faleceram todos integrantes da tripulação... Os destroços da aeronave e os corpos dos tripulantes foram encontrados e resgatados pelas autoridades norte-americanas. Durante a cerimônia do sepultamento, na Carolina do Norte, foram prestadas as honras militares de estilo, com a participação de nosso Embaixador nos Estados Unidos e de autoridades norte-americanas. Os corpos só foram transladados para o Brasil, cinco anos após o acidente.

Recebida a informação do acidente, os colegas do 1º/2º GAV – Ten. Av. RUBENS VAZ e VELOSO, embargados pela emoção, não conseguiram transmitir a notícia do falecimento do Ten. GERALDO à Sra. Laís, o que foi feito por suas esposas, em prantos. A Sra. Laís, devido ao choque, perdeu seu bebê (terceiro mês de gestação) e teve que ser internada no HABE. Após ter alta, a Sra. Laís retornou a viver na casa de seus pais, no Rio de Janeiro/GB.

Carlos Fabiano Moreira Vieira

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