AS EMPRESAS AÉREAS BRASILEIRAS E SEUS CATALINA

COMPANHIA DE TRANSPORTES AÉREOS BANDEIRANTES – TABA

A Transportes Aéreos Bandeirantes Ltda. foi originariamente fundada com o nome de Transportes Aéreos da Bacia Amazônica – e a sigla TABA. Formada pelo piloto Alberto Martins Torres, Oficial da Reserva da FAB – integrante do 1º Grupo de Aviação de Caça – que lutara na Itália e adquirira experiência de aviação comercial, trabalhando na Transcontinental e na Viação Aérea Santos Dumont- VASD, cuja visão idealista e estratégica previa o desenvolvimento da Amazônia, no entorno e a partir de Manaus/AM.

Começou, em 1945, transportando balata para o porto de Belém/PA, porém, o mercado da borracha sofreu uma queda após a guerra e Torres requereu, ao Ministério da Aeronáutica, uma concessão para transportar passageiros e cargas entre o Rio de Janeiro e Porto Alegre.

Face à desaprovação do Ministério da Aeronáutica quanto ao registro do nome da empresa, por ter conotação regional, foi obrigado a reestruturá-la e mudar o nome para Transportes Aéreos Bandeirantes – TABA, assim, mantendo a sigla original. Mudou de nome e de área de operação.

Conseguiu concessão do Departamento de Aviação Civil (DAC) para operar uma rota sul, pelo litoral, até Porto Alegre. Em abril de 1948, começou a operar dois hidroaviões PBY-5 na rota do Rio de Janeiro/GB até Laguna/SC.

Os dois hidroaviões faziam amerissagens, regularmente, em São Francisco do Sul, Itajaí, Florianópolis, Laguna e Araranguá. E, era pela TABA que os blumenauenses "voavam" para o Rio e outros destinos, a partir de Itajaí, com amerissagens e descolagens do Rio Itajaí-Açú, um misto de viagem e aventura.

Essa linha foi estendida até Porto Alegre/RS, mas, estava quase inoperante, em 1950, quando a TABA foi vendida a outro piloto veterano da Segunda Guerra – Coronel Marcilio Jacques Gibson, proprietário do Lóide Aéreo Nacional, sendo absorvida por essa Empresa.

TABA

AERONAVES:

PBY-5 Catalina – Prefixo PP-BLA (CN 947, BuNo 08127 U.S. Navy)

PP BLALaguna

Em Laguna/SC

Com a matrícula norte-americana NC33306, foi adquirido pela Viação Aérea Santos Dumont (VASD), da Rubber Development Corporation, em Belém/PA, em 1944, e registrado com a matrícula PP-SDA. Com a paralização da operação na Empresa, a partir do final do ano de 1945, foi vendido à Transportes Aéreos Bandeirantes (TABA), em 1947, onde foi registrado com a matrícula PP-BLA. Entrou em operação, mas, em março de 1948, teve de ser desmontado para reaproveitamento de peças e equipamentos.

PBY-5 Catalina – Prefixo PP-BLB (CN 937, BuNo – 08126 U.S. Navy)

PPBLB

Com a matrícula norte-americana NC33305, foi adquirido pela Viação Aérea Santos Dumont (VASD), da Rubber Development Corporation, em Belém/PA, em 1944, e registrado com a matrícula PP-SDB. Com a paralização da operação na Empresa, a partir do final do ano de 1945, foi vendido à Transportes Aéreos Bandeirantes (TABA), em 1948, onde foi registrado com a matrícula PP-BLB. Acidentado, em 30 de setembro de 1949, com perda total. A aeronave, que partiu do Rio de Janeiro/GB, nessa data, com destino a Porto Alegre/PA, ao amerissar próximo ao porto da Cidade de Iguape/SP, se chocou com um obstáculo semi-submerso, capotando, partindo-se ao meio e submergindo nas águas do rio que ali desemboca. Pilotava o aparelho o próprio diretor e sócio igualitário da empresa (com Martins Torres) Comandante Carl Heinz Eberius, que levava como copiloto Eduardo Augusto Dohle da Costa, copiloto extra Adolfo Silveira Pouman, radiooperador José Dias Couto, e como Mecânicos de Voo Paulo César de Niemeiyer e Paulo Neuselinan. Os Mecânicos de Voo e dois passageiros (um adulto e uma menina de dois anos de idade) faleceram no local.(*)

DC-3 Douglas – Prefixo PP-BLC (1949)

Acidentado, em 30 de setembro de 1949, ao pousar em Iguape/SP, quando ia prestar socorro aos sobreviventes do PP-BLB. Recuperado, foi vendido à REAL AEROVIAS: PP-YPX.

(*)Diário Oficial da União de 24 de fevereiro de 1950 – Seção I – Página 10:

“No lamentável acidente ocorrido em Iguape, Estado de São Paulo, no dia 30 de setembro último, em que o avião PP-BY-5, comandado pelo piloto Carol Heinz Eberious, chocou-se violentamente com urna tora de madeira submersa, do que resultou a capotagem da aeronave, causando ferimentos graves e mortes entre passageiros e tripulantes, o Diretor de Aeronáutica Civil julgou de justiça "realçar o corajoso procedimento da tripulação da aeronave mencionada, constituída pelo Comandante Carol Heinz Ebtricus, co-pilôto Eduardo Augusto Drolhe da Costa, co-piloto extra Adolfo Silveira Pouman, e o rádio-operador José Dias Couto, que apesar de feridos todos, portaram-se à altura da situação, socorrendo, na medida de suas fôrças, os passageiros". Destacou ainda o engenheiro César Grilo "a ação resoluta, destemerosa e abnegada do radiotelegrafista. José Dias do Couto que, embora também sèriamente ferido, conseguiu, com esforço individual, salvar muitos companheiros de viagem, alguns dos quais foram por êle libertados das destroços do avião". Ao louvar os tripulantes do avião PP-BLB pela coragem e perfeita noção de dever que demonstraram, especialmente o radiotelegrafista José Dias do Couto, recomendou que, na baixa das cartas dos mecânicos Paulo César de Niemeyer e Paulo Neuselinan que pereceram no desastre, se declare: Vitimado no cumprimento do dever".

O memorialista Niels Deeke registra que, por relatos do piloto Karl Heinz Eberius a Gunter Deeke (sobrinho do Comte. Eberius), o acidente ocorreu devido ao avião ter amerrissado sobre um banco de areia submerso, ocorrendo o capotamento, e não por ter batido em uma tora de madeira. Baixios e bancos de areia, naquela foz do rio, mudavam constantemente de posição.

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