AS EMPRESAS AÉREAS BRASILEIRAS E SEUS CATALINA

SERVIÇOS AÉREOS DO VALE AMAZÔNICO – SAVA

A Empresa Serviços Aéreos do Vale Amazônico – SAVA foi fundada, na cidade de Belém/PA, possivelmente em 1º de setembro de 1949, pelo paraense Raymundo Duarte Muniz, então 1º Sargento do Quadro de Avião da Aeronáutica da Ativa. Inúmeras citações repetitivas em site e blogs na internet apresentam os dados: “A SAVA foi fundada na cidade de Belém, pelo Comandante Muniz, em 1951 e, à época, sua sigla significava Serviços Aéreos do Vale Amazônico e fazia difíceis voos de integração na Amazônia, voando entre Belém, Manaus e o interior da região norte. O Comandante Antunes voava robustos "Catalina" da SAVA.”.

Até esta data – 05 Dez. 2016, não encontramos os registros da primeira razão social da SAVA que confirmem a sua criação, em 1951, e, nesse ano, o já 2º Tenente MUNIZ da Ativa da Aeronáutica ainda não era conhecido por “Comandante Muniz”.

A SAVA operou no transporte comercial de carga e passageiros de e para diferentes destinos da Amazônia, com diversas aeronaves dentre as quais os CONSOLIDATED CATALINA PBY-5A, até o ano de 1963 quando interrompeu suas operações por perda e indisponibilidade do material aéreo e falta de recursos financeiros para o necessário reequipamento ou recuperação.

A partir de 1950, com a participação de inúmeros desbravadores e sob o comando e a gerência do dinâmico e determinado Muniz, essas “máquinas” foram empregadas em todo o tipo de missão de transporte na Amazônia: inicialmente, com passageiros e suas cargas de Belém para a Ilha de Marajó, regressando com carne verde para abastecer a capital (Junkers W34ci e Consolidated Catalina PBY-5A); em seguida, direcionando esse mesmo tipo de transporte para e de localidades no Sul do Pará e Norte de Goiás (passageiros e sua cargas na ida, carne verde na volta para o Frigorífico Paraense, com Consolidated Catalina PBY-5A); quando a ocupação dos garimpos no Leste do Pará, por via aérea, ensaiava seus primeiros passos e o ouro começava a atrair aventureiros, o Catalina da SAVA, partia de Belém, executando autêntica maratona de regatão pelo interior, quase sempre encerrando a Linha em Jacareacanga. O Comandante Muniz chegou a pousar, do final da década de cinquenta para começos da de sessenta, em algumas áreas incipientes de garimpagem, graças à capacidade desse tipo de avião utilizar o rio à falta de pista seca. 

O Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB) lista na frota da SAVA: Boeing 274D PT-APO, Beechcraft M35 PP-POP, Junkers W34ci PP-RYW, Curtiss C-46A-10-CU PP-NMH, Curtiss C-46A-5-CK PP-NAP, Consolidated Catalina PBY-5A PT-AMR, Consolidated Catalina PBY-5A PT-BGA, e Consolidated Catalina PBY-5A PP-BTD. Os registros sobre a situação evolutiva dessas aeronaves são os seguintes: o Consolidated Catalina PBY-5A PT-AMR acidentou-se, em 12 de maio de 1954, em Marabá/PA, com perda total da aeronave; o Boeing 274D PT-APO, em 24 Abr. 1963, pousou forçado em um terreno pantanoso, entre as localidades de Almeirim e Prainha, no Pará, devido a um dos seus motores ter pegado fogo em voo, tendo sido posteriormente resgatado e transportado, em balsa, para Belém, considerado sem condições de recuperação; o Curtiss C-46A-10-CU PP-NMH, que havia sido repassado à VASP, em fevereiro de 1962, após a fusão NAB/LÓIDE/VASP, foi arrendado à SAVA e, depois, comprado pela mesma; pousado em Itacoatiara/AM (196?) e aguardando troca de motor, teve seu certificado de aeronavegabilidade expirado e não renovado, em 30/04/1976, sendo sucateado de suas peças e acessórios aproveitáveis e ali abandonado, ao lado da pista de pouso; o Curtiss C-46A-5-CK PP-NAP, parado em Belém/PA por indisponibilidade para operação, foi desmontado e vendido em partes de componentes, peças, e acessórios; o Junkers W34ci PP-RYW, adquirido da Francisco Oliveira – Minérios, em 1950, e registrado no RAB, em 09/06/1950, em nome de Raymundo Duarte Muniz, foi retirado de operação; não foram obtidos dados sobre  a paralização do Consolidated Catalina PBY-5A PT-BGA e do Consolidated Catalina PBY-5A PP-BTD.

Em fevereiro de 1964, o Deputado Federal pelo Pará José Edson Burlamaqui de Miranda do Partido Social Democrático (PSD) apresentou o Projeto de Lei nº 1789/1964 que autorizava o Poder Executivo a abrir, pelo Ministério da Aeronáutica, o crédito especial de Cr$ 100.000.000,00 (cem milhões de cruzeiros) destinados aos Serviços Aéreos do Vale Amazônico, em Belém, Estado do Pará. Esse Projeto de Lei, datado de 26 de fevereiro de 1964, foi encaminhado à Comissão de Justiça da Câmara dos Deputados em 03 de março de 1964. Embora não tenha sido obtida a tramitação final desse Projeto é provável ter sido arquivado sem aprovação, face às dificuldades financeiras da SAVA perdurarem nos anos subsequentes.

A partir de 1963, os problemas logísticos e financeiros acarretaram à SAVA uma estagnação por largo período, embora, entre os anos de 1979 e 1981, tenha operado o MCDONNELL DOUGLAS DC-3 PT-KVJ, em missões de transporte de carga em proveito do governo do Território Federal de Rondônia; em 1980, essa aeronave ficava baseada em Porto Velho/RO e era pilotada pelos Comandantes Raymundo Duarte Muniz e Adilson Mello.

A SAVA voltou a operar quando o grupo australiano TNT resolveu investir em transporte de carga aérea no Brasil. A TNT utilizava caminhões na rota de Manaus para São Paulo e na época das chuvas (dezembro a fevereiro) as estradas da região ficavam intransitáveis, tendo assim que alugar aeronaves de transporte o que acabava por inviabilizar o custo final dos produtos. A escolha para aquisição de uma empresa aérea recaiu sobre a SAVA porque esta estava sem voar e tinha uma boa concessão de operação. Em 13 de outubro de 1988, às 10:00 horas, na sede social da SAVA à Avenida Serzedelo Corrêa – nº 15 – Gr 504, na cidade de Belém/PA, foi realizada Assembleia Geral Ordinária com as seguintes deliberações aprovadas: a – a alteração da denominação social de “Sava – Serviços Aéreos do Vale Amazônico S.A.” para TNT Sava – Serviços Aéreos do Vale Amazônico S.A.”; b – a transferência da sede social da cidade de Belém/PA para a cidade de Manaus/AM, na rua Cláudio Mesquita – nº 787 – Centro; c – a alteração do objeto social para adequar a sua redação aos termos do Código Brasileiro de Aeronáutica, a qual passa a ser a seguinte “Art. 3º - A sociedade terá como objetivo social a exploração do ramo de serviços de transporte aéreo não regular de carga entre pontos situados no território nacional e, mediante autorização do Ministério da Aeronáutica, entre esses pontos e outros situados fora dele, bem como de abastecimento e malas postais; ...e, “4.3. – Diante das deliberações efetivadas, foi aprovada a nova redação dos Estatutos Sociais”. Nessa A.G.O foi eleita a Diretoria para cumprir o mandato de 1988 a 1990, assim composta – Diretor Presidente Talito Endler (administrador de empresas), Diretor Vice-Presidente Ivo José Dietrich (economista), Diretor Carlo Barbieri Filho (advogado), Diretor Jaime Jacopucci (advogado), Diretor Joaquim Thomé Neto (empresário), e Diretor Cmte Raymundo Duarte Muniz. O Cmte Muniz ficou com a participação de 25% das ações preferenciais e 25% das ações ordinárias na composição do capital social do valor de Cz$ 451.378.317,00.

A nova empresa passou a efetuar voos, principalmente entre Manaus e São Paulo, e operou vários Boeing 727.100F e 727.200F, além de um Douglas DC-8.61F. Pelo Decreto Nº 0-001, de 19 de junho de 1991, foi outorgada à empresa TNT Sava S.A. a concessão para explorar serviços aéreos de transporte regular de passageiros, malas postais e carga.

Há que se destacar que a empresa foi a responsável pelo transporte, em 1994, das primeiras notas do "Real", fabricadas na Alemanha, em dois voos diretos nonstop, entre Frankfurt e Rio de Janeiro.

A TNT Sava S.A., mudando seus planos estratégicos, vendeu o controle acionário a um grupo de brasileiros e uruguaios que eram proprietários de uma empresa de carga aérea, denominada Coex Inc., em Miami, Estados Unidos, comandada pelo uruguaio Juvenal Lucas D'Oliveira Velazco. Esse grupo, vindo de Brasília e formado por executivos e advogados, em associação com um engenheiro aeronáutico com 25 anos de trabalho no exterior e larga experiência em aviação comercial, assumiu o controle da empresa, após três meses de negociações, em 1994. Quando da venda para esse grupo, foi retirado o nome TNT e a empresa passou a se chamar SAVA S.A. A empresa foi completamente reestruturada, com a renegociação de dívidas, dos voos e do aproveitamento racional da única aeronave cargueira que voava para a empresa naquela época - Boeing 707.321CH, prefixo N-707HT, arrendada da International Air Leases - IAL (foto). Também foi formada nova carteira de clientes corporativos e a companhia voltou a operar entre São Paulo e Manaus, regularmente, além de efetuar voos não regulares entre Belo Horizonte e Córdoba (Argentina), todos cargueiros. Seus principais clientes eram a FIAT, Editora Abril, Sanyo, TNT, e Turin Cargo. Realizou inúmeros voos cargueiros, na rota para Manaus, em parceria com a Skyjet (Boeing 707), comandada pelo executivo Ângelo Mourão, que tinha investidores holandeses, e com a norte-americana Polar Cargo, entre São Paulo e Miami (Boeing 747.100F). Além disso, firmou uma operação para a promoção de voos charters de passageiros, com o seu representante Sr. Ozires Silva, com a mexicana Aerocancún (com Airbus A-310/200), voando entre São Paulo-Rio de Janeiro-Salvador-Málaga (Espanha) e Buenos Aires-Porto Alegre-Recife. O transporte de cargas era efetuado com B707.300 (somente carga paletizada).

B7071990

O Boeing 707.321CH, prefixo N-707HT, no Aeroporto Internacional de Guarulhos/SP

Nesse ano de 1994, houve tentativa de transferência de propriedade da empresa, com a possibilidade de novos investidores na companhia, mas, o então Departamento de Aviação Civil (DAC), hoje ANAC, não aprovou os nomes dos novos proprietários e, então, os que seriam os novos acionistas desistiram do negócio, que continuou nas mãos dos antigos proprietários.

AERONAVES:

PBY-5A Catalina - Prefixo PT-AMR (Serial Number – 1995, RCAF 9792)

Inicialmente com a matrícula norte-americana N74694, foi adquirido pela Aero Geral Ltda., em 1952, e matriculado como PP-AGH. Não chegou a operar na Empresa, sendo vendido à Paraense Comercial Ltda. (depois Paraense Transportes Aéreos S.A.), em 26 de agosto de 1952, passando a operar com a matrícula PT-AMR. Transferido para a SAVA onde, provavelmente, operou no período de 1952 a 1954. Acidentado, em Marabá/PA, em 12 de maio de 1954, com perda total da aeronave.

Consta do Registro Aeronáutico Brasileiro – RAB como um CONSOLIDATED PBY-5A Serial Number 1995 com a matrícula PT-AMRPT-AMR CONSOLIDATED PBY-5A CATALINA          1995

PBY-5A Catalina - Prefixo PT-BGA (Serial Number – 9746)

PTBGA

MARCA: PT-BGA

PROPRIETÁRIO SAVA – SERVIÇOS AÉREOS DO VALE AMAZÔNICO, UF – PARÁ/PA, CPF_CNPJ 04.929.709/0001-27,

OPERADOR SAVA – SERVIÇOS AÉREOS DO VALE AMAZÔNICO, UF – PARÁ/PA    CPF_CNPJ 04.929.709/0001-27,

MATRÍCULA – 3699, NÚMERO DE SÉRIE – 9746

CATEGORIA – TPX, TIPO DE CERTIFICADO – MLAF,

MODELO – PBY-5A, FABRICANTE – GENERAL DYNAMICS

CLASSE – A2P, PMD – 12.247, TRIP. MÍM. – 1

VALIDADE IAM – 29/01/1971, VALIDADE CA – 31/03/1999, CD INTERDIÇÃO – C82

Consta do Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB) como um CONSOLIDATED PBY-5A CATALINA Serial Number 9746, com a matrícula PT-BGA.

PBY-5A Catalina - Prefixo PT-BTD (Serial Number – 97-883 BuNo 08064 US Navy)

PPBTD1

No estacionamento do Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo/SP (Foto 1960)

Com a matrícula NC33300, foi adquirido da Rubber Development Corporation, em Belém/PA, em 1947, pela Aero Geral, e registrado com a matrícula PP-AGA. Vendido à Paraense Comercial Ltda. (depois Paraense Transportes Aéreos S.A.), em fevereiro de 1952, e registrado com a matrícula PT-ANU. Adquirido pela PROSPEC – Levantamentos Prospecções e Aerofotogrametria S. A., em fins de 1952 (ainda sem confirmação da data e sobre o período de emprego da aeronave). Em 19 de julho de 1957, foi registrado com a matrícula PP-BTD, na Paraense Transportes Aéreos S.A. Adquirido pela SAVA, em agosto de 1959, onde operou com a matrícula PT-BEA e, a partir de novembro de 1960, com a PT-BGB. W/o Feb 21, 1961.

Consta do Registro Aeronáutico Brasileiro – RAB como um CONSOLIDATED PBY-5A CATALINA Serial Number 97-883 com as matrículas PP-AGA, PT-ANU, PP-BTD, PT-BEA, e PT-BGB:

PT-ANU CONSOLIDATED PBY-5A CATALINA 97-883 Ex-PP-AGA; Trnf PP-BTD
PT-BEA CONSOLIDATED PBY-5A CATALINA 97-883 Ex-PP-BTD; Trnf PT-BGB

PT-BGB CONSOLIDATED PBY-5A CATALINA 97-883 Ex-PT-BEA

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