AS EMPRESAS AÉREAS BRASILEIRAS E SEUS CATALINA

PANAIR DO BRASIL S.A

PanairLogo

No dia 15/9/1930, a empresa norte-americana NYRBA foi extinta, absorvida pela Pan American Airways (PANAM). Sua subsidiária brasileira, a NYRBA do Brasil (criada em 22/10/1929), foi extinta no dia 17/10/1930. Em seu lugar surgiu a Panair do Brasil, cujo nome foi aprovado pelo Decreto nº 19.417, assinado no dia 21/11/1930. A frota da nova empresa incluía oito hidroaviões (quatro Consolidated Commodore e quatro Sikorsky S-38). Foi autorizada a explorar voos regulares postais e de passageiros ao longo da costa brasileira.

Sua primeira operação foi no dia 28/11/1930. A Pan American voava dos Estados Unidos até Belém do Pará. De lá, a viagem prosseguia para o sul nas aeronaves da sua subsidiária brasileira, mas, até 1935, todas as tripulações eram norte-americanas. Em 1933, a Panair do Brasil começou a expandir suas linhas na Região Norte, ligando Belém a Manaus, com escalas em Cametá, Curralinho, Gurupá, Monte Alegre, Santarém, Óbidos, Parintins e Itacoatiara. No dia 25 de outubro de 1933, o Consolidated Commodore 16 PP-PAG “Manaos” (NS 06), realizou o primeiro voo da Empresa – então subsidiária da PANAM, inaugurando a Linha Amazônica entre as duas capitais Belém/PA e Manaus/AM.Em 1936, a linha foi estendida até Porto Velho, passando por Borba, Manicoré e Humaitá, ao longo do Rio Madeira. Em 1936, foram adquiridos dois anfíbios Fairchild 91 “Baby Clipper” e dois Lockheed Electra. Em 1938, os últimos pilotos norte-americanos foram substituídos por brasileiros. Naquele mesmo ano, chegou o primeiro Douglas DC-2, mas, ele foi logo substituído pelos Lockheed 18 Lodestar. A empresa chegou a operar quatorze aeronaves desse tipo, além de dois Lockheed 12.

Em 1941, a linha Belém/Manaus recebeu uma ramificação, que ia da capital amazonense até Tabatinga, com escalas em Codajás, Coari, Tefé, Fonte Nova, Santo Antônio do Içá e São Paulo de Olivença. Em dezembro de 1942, a Pan American vendeu parte de suas ações da Panair do Brasil, retendo apenas 58% do capital.

No dia 27/4/1946, a Panair do Brasil começou a fazer voos regulares com quadrimotores Lockheed Constellation para a Europa. Inicialmente para Londres, mas, a partir de 1/7/1946, passou a pousar também em Paris e, depois de 3/10/1946, também em Roma. No dia 5/6/1947, inaugurou a rota para o Cairo e, no dia 16/11/1947, para Istambul, na Turquia. Em 1948, a cidade de Frankfurt, na Alemanha, passou a ser servida. Na América do Sul, a empresa passou a voar para Montevidéu e Buenos Aires.

No início de 1947, a Panair do Brasil começou a operar quatro anfíbios Canso A Catalina nas linhas para a Amazônia, a partir de Belém/PA. E, no decorrer dessas operações, incorporou mais um Canso A Catalina, em 1950, dois PBY-6A Catalina, em 1958, e um PBY-5A Catalina em 1961.

Em 1950, foi inaugurada a rota para Beirute, no Líbano, e para as capitais do Chile e do Peru. Em 1953, passou a voar para Lisboa e Hamburgo e, em 1954, para Dusseldorf, na Alemanha. No início de 1953, a Panair do Brasil encomendou, na Inglaterra, quatro jatos Comet II, com opção para dois Comet III. Mas, os acidentes com as primeiras aeronaves desse tipo, na Europa, protelaram a entrega. O então Presidente da Panair Paulo Sampaio reafirmou sua confiança na aeronave inglesa e manteve as encomendas, mas, em maio de 1955, foi substituído por Argemiro Hungria da Silva Machado, que desfez o contrato e adquiriu quatro aviões quadrimotores Douglas DC-7C (recebidos em 1957) e seis DC-6, arrendados ao Lóide Aéreo Nacional. O primeiro jato da Panair do Brasil foi um Douglas DC-8, chegado em abril de 1961. A empresa chegou a operar quatro DC-8 e quatro Caravelle. Mas, a crise já abalava a empresa. No dia 10/2/1965, o voo da Panair, que deveria decolar para a Europa às 21:00 horas, foi cancelado e, imediatamente, substituído por outro da VARIG, que já tinha uma aeronave preparada. Dois dias depois, a Panair do Brasil ingressou na 6ª Vara Cível do Estado da Guanabara com um pedido de concordata preventiva, declarando um passivo de Cr$ 86 bilhões. No dia 15/2/1965, o Juiz Mário Rebelo de Mendonça Filho indeferiu o pedido e decretou a falência judicial da empresa.

O Ministério da Aeronáutica apoiou a decisão, alegando que o endividamento da empresa era tão grande que não havia recursos governamentais para cobri-lo. As linhas e serviços da Panair do Brasil foram repartidos entre outras empresas nacionais, sendo a VARIG a maior beneficiada, herdando toda a estrutura básica de suas rotas internacionais. A Serviços Aéreos Cruzeiro do Sul ficou com as linhas para a Região Amazônica e adquiriu cinco Catalinas da frota remanescente da Panair do Brasil.

A polêmica em torno da cassação da Panair do Brasil durou muito tempo e reacendeu, vinte anos mais tarde, com um acórdão do Supremo Tribunal Federal (18/12/1984) e uma nota divulgada por seus ex-diretores à Imprensa, no dia 28/2/1985.

AERONAVES:

Canso A Catalina – Prefixo PP-PCX (CN CV 240, IDT Original 9806 RCAF)

PPPCX1

O primeiro registro conhecido desta aeronave é datado de 05 de abril de 1943, ao ser entregue para o Eastern Air Command. Operado como transporte, de 25 de abril a 17 de junho de 1943, no Esquadrão Nº 117 (BR), na Nova Escócia e Quebec/CANADÁ. Codificado “M” e denominado "Princess Alice". Adquirido pela Panair do Brasil, em 05 de dezembro de 1947, da Charles Babb Company and Canadian Vickers. . É possível que tenha sido registrado com a matrícula PP-ABD, para a transferência de propriedade e o traslado para o Brasil. Recebeu a matrícula PP-PCX e foi batizado de "Bandeirante Antonio Pedroso de Alvarenga" na Empresa. Após o fechamento da Panair, em 1965, foi arrendado à Serviços Aéreos Cruzeiro do Sul, pela massa falida da Panair. Estocado, em 10 de fevereiro de 1965, em Belém/PA, não chegou a entrar em operação na Empresa. Com a extinção da Cruzeiro do Sul, foi vendido ao Ministério da Aeronáutica, em 1969, e registrado como CA-10 6553. Não chegou a entrar em serviço na FAB, sendo desmontado para aproveitamento de componentes, peças, acessórios, e equipamentos. Último registro na War Assets Corporation: 18 de novembro de1946 – “written off”.

Consta do Registro Aeronáutico Brasileiro – RAB como um CONSOLIDATED PBY-6A CATALINA Serial Number CV240 com a Matrícula PP-ABD.

CONSOLIDATED PBY-6A CATALINA – MATRÍCULA PP-ABD – SERIAL NUMBER CV240

Consta do Registro Aeronáutico Brasileiro – RAB como um CONSOLIDATED PBY-5A CATALINA Serial Number CV240 com a Matrícula PP-PCX.

CONSOLIDATED PBY-5A CATALINA – MATRÍCULA PP-PCX – SERIAL NUMBER CV240

Canso A Catalina – Prefixo PP-PCY (CN CV 242, IDT Original 9808 RCAF) – Modelo PBV-1

PPPCY2

Adquirido pela Panair do Brasil, em 05 de dezembro de 1947, da Charles Babb Company and Canadian Vickers, recebendo a matrícula PP-PCY. Batizado de "Bandeirante Antonio Dias de Albuquerque" na Empresa. Em 30/10/1961, sofreu uma pane de motor, seguida de incêndio em voo, próximo à cidade de Parintins/AM. O piloto da aeronave – Comte. Daniel Ariosto Portela – fez uma amerissagem de emergência, no rio Amazonas, sem danos aos tripulantes e passageiros, porém, com perda total da aeronave.

Canso A Catalina – Prefixo PP-PCW (CN CV 429, IDT Original 11090 RCAF) – Modelo PBV-1

PPPCW

O primeiro registro conhecido desta aeronave é datado de 27 de setembro de 1944, ao ser entregue para o Eastern Air Command e incorporado ao Esquadrão Nº 162 (BR) na Islândia.

Adquirido pela Panair do Brasil, em 11 de setembro de 1947, da Charles Babb Company and Canadian Vickers, sendo registrado como PP-PCW e batizado como “Bandeirante Pedro Teixeira” na Empresa. Com o fechamento da PANAIR, foi entregue – por arrendamento da massa falida da Panair – à Serviços Aéreos Cruzeiro do Sul, em 22 de junho de 1965.

Em 17 de outubro de 1968, levando a bordo cinco tripulantes e nove passageiros, na amerissagem, no Rio Purus, às 14:05 hora local, defronte da localidade de Canutama/AM, logo após tocar n’água, bateu com um dos flutuadores num obstáculo submerso. A aeronave afundou, causando a morte de quatro passageiros que não conseguiram abandoná-la a tempo.

Canso A Catalina – Prefixo PP-PCZ (CN CV 282, IDT Original 11004 RCAF) – Modelo PBV-1

PPPCZ

O primeiro registro conhecido desta aeronave data de 25 de Outubro de 1943, incorporado no Eastern Air Command (EUA). Adquirido pela Panair do Brasil, em 05 de dezembro de 1947, da Charles Babb Company and Canadian Vickers, sendo registrado como PP-PCW e batizado como “Bandeirante Jácomo Raymundo de Noronha” na Empresa. Acidentado, ao amerissar em Portel/PA, em 11 de abril de 1964, com perda total da aeronave.

Canso A Catalina – Prefixo PP-PDB (CN 22021, IDT Original 9792 RCAF) – Modelo PBV-1

PPPDB2

Primeiros registros datam de maio de 1943, no Comando Aéreo do Leste (EUA). Adquirido, no início de 1950, através da Charles Babb Company, de New York/USA, com a matrícula PP-XDS  para a transferência de propriedade e o traslado dos EUA ao Brasil. Em 23 de fevereiro de 1950, a Panair requereu o registro brasileiro PP-PDB, concedido em 3 de março de 1950. Esta aeronave chegou a Belém/PA, em 17 de abril de 1950, e, ao Rio de Janeiro/RJ, no dia seguinte. Sofreu um acidente de pequena monta, em 12 de setembro de 1953. Foi reparado e voltou à atividade. Sua última revisão geral ocorreu em 30 de dezembro de 1955. Teve o registro "written off", quando se chocou com um objeto em uma amerissagem, submergindo no Rio Amazonas, em Parantins/AM, em 18 de Abril de 1956. Três pessoas faleceram nesse acidente que fez a aeronave se partir ao meio: o Comandante Luís Anet, o radiotelegrafista e um passageiro. Foi resgatado do fundo do rio, mas nunca reparado. Seu Registro foi cancelado em 29 de maio de 1957.

PBY-6A Catalina – Prefixo PP-PDR (CN 1781, BuNo 48419 U.S. Navy)

PPPDR1

Adquirido, nos EUA, com a matrícula americana N95AAC, em 31 de dezembro de 1957, foi registrado com a matrícula inicial PP-ABC para a Panair do Brasil, e chegou a São Paulo, em 1958. Recebida nova matrícula PP-PDR, foi batizado como “Pedro Vaz de Barros” na Empresa. Após o fechamento da Panair, em 1965, foi arrendado, mediante leasing com a massa falida, à Serviços Aéreos Cruzeiro do Sul e estocado, em 10 de fevereiro de 1965, em Belém/PA, não chegando a entrar em operação. Com a extinção da Cruzeiro do Sul, foi vendido ao Ministério da Aeronáutica, em 1969, registrado como CA-10 6554 no Inventário da Força Aérea Brasileira (FAB) e incluído como orgânico do 1º Esquadrão de Transporte Aéreo, sediado em Belém/PA. Não chegou a entrar em serviço na FAB, sendo desmontado para aproveitamento de componentes, peças, acessórios, e equipamentos. Descarregado do inventário da FAB em 1978.

PBY-6A Catalina – Prefixo PP-PEB (CN 2007, BuNo 46643 U.S. Navy)

PPPEB

Com a matrícula norte-americana N9556C, foi adquirido da Aircraft Instruments Corporation - AIC pela Empresa Agropecuária Guaporé, tendo sido lavrado o respectivo “Bil of Sale” pela AIC. Feita a reserva da marca PT-BBQ e concedida a matrícula para o traslado, a aeronave chegou a São Paulo/SP, em 26 de abril de 1958, já com a matrícula PT-BBQ. Foi vendido à Empresa Panair do Brasil S.A., através de leasing, onde recebeu a matrícula PP-PEB e foi batizado com o nome “Bandeirante Antônio Dias Adorno”. Após o fechamento da Panair, em 1965, foi arrendado à Serviços Aéreos Cruzeiro do Sul, mediante leasing com a massa falida da Panair, em 28 de junho de 1965, sendo registrado na nova operadora em 01 de julho de 1965. Com a extinção da Cruzeiro do Sul, foi vendido ao Ministério da Aeronáutica, recebendo a matrícula CA-10 6552. Voou até 1982 quando, pela desativação desse tipo de aeronave do acervo da Força Aérea Brasileira, foi descarregado do inventário e passou a pertencer ao acervo histórico do Comando da Aeronáutica. Encontra-se na Base Aérea de Belém, em Belém/PA, por decisão judicial, sendo seu fiel depositário o Cmt. do Primeiro Comando Aéreo Regional. Está estacionado no antigo Hangar do 1º/2º GAV e participa, em exposição estática, de todos os eventos comemorativos de datas festivas daquela Base Aérea.

Consta do Registro Aeronáutico Brasileiro – RAB como um CONSOLIDATED PBY-6A CATALINA Serial Number 2007 com a Matrícula PT-BBQ.

CONSOLIDATED PBY-6A CATALINA – MATRÍCULA PT-BBQ – SERIAL NUMBER 2007

PBY-5A Catalina – Prefixo PP-PEC (CN 91-887, BuNo 08068 U.S. Navy)

PPPEC

Com a matrícula norte-americana N6470C, foi adquirido pela Panair do Brasil, na década de cinquenta, chegando ao Brasil com a matrícula PT-BBO. Matriculado para a Panair como PP-PEC, foi batizado com o nome “Bandeirante Aleixo Garcia”. Após a falência da Panair, em 1965, foi arrendado à Serviços Aéreos Cruzeiro do Sul e entregue em 14 de setembro de 1965.

Consta do Registro Aeronáutico Brasileiro – RAB como um CONSOLIDATED PBY-5A CATALINA Serial Number 91 com a Matrícula PT-BBO.

CONSOLIDATED PBY-5A CATALINA – MATRÍCULA PT-BBO – SERIAL NUMBER 91

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