AS EMPRESAS AÉREAS BRASILEIRAS E SEUS CATALINA

SERVIÇOS AÉREOS CRUZEIRO DO SUL LTDA.

CruzeirodoSulLogo

Embora o Kondor Syndikat tenha sido extinto na Alemanha no dia 1/7/1927, suas atividades no Brasil prosseguiram com vistas a implantar uma empresa aérea comercial no Rio Grande do Sul. Ela já detinha 21% das ações da recém-criada VARIG quando, no dia 20/8/1927 o Governo brasileiro autorizou a rota Rio de Janeiro/Recife e no dia 9/11/1927 a rota Rio de Janeiro/Porto Alegre, com duas frequências semanais.

No dia 1/12/1927, surgiu no Brasil o Syndicato Condor Ltda. que, logo em seguida, recebeu por transferência as linhas antes alocadas à empresa alemã. O capital da nova companhia foi subscrito por Fritz Hammer (sete contos de réis), Herm Stoltz (cinco contos de réis), Max Sauer (quatro contos de réis), e o conde Ernesto Pereira Carneiro, proprietário da Empresa de Navegação Costeira e do Jornal do Brasil. A nova empresa propunha ligar por via aérea grande parte do litoral brasileiro e começou a operar, no dia 15/7/1928, voando entre Salvador e Belmonte, e, logo em seguida, pousando em Valença e Santarém, cidades baianas situadas entre Salvador e Ilhéus. Em 1930, seus voos saiam regularmente do Rio de Janeiro e faziam pousos em Vitória, Caravelas, Belmonte, Ilhéus, Salvador, Maceió, Recife, e Cabedelo, até chegar a Natal. Os aviões usados eram o Dornier Wal e o Junker F-13, ambos modelos de fabricação alemã. Foram igualmente feitos voos com malotes postais até Fernando de Noronha, onde a correspondência era embarcada em navios alemães.

O início da Segunda Guerra Mundial, em 1939, criou uma situação delicada para as empresas germânicas no exterior. No dia 19/8/1941, o nome da companhia foi mudado para Serviços Aéreos Condor Ltda. e parte do capital alemão, nela investido, transferido para acionistas brasileiros. Foi negociada, então, a compra de quatro aviões norte americanos novos (Lockheed Lodestar), mas, as exigências de guerra complicaram essa aquisição. E, quando o Brasil entrou definitivamente na guerra contra os países do Eixo (Alemanha/Itália/Japão), mudanças mais radicais foram efetivadas. Assim, no dia 16/1/1943, a companhia foi extinta e no seu lugar surgiu, confirmada através do Decreto 5.197, a Serviços Aéreos Cruzeiro do Sul Ltda.

Herdeira das rotas, funcionários e aeronaves da sua antecessora, a Cruzeiro do Sul deveria confirmar a encomenda de aviões Lockheed 18 Lodestar. Mas, seu Presidente José Bento Ribeiro Dantas optou pela linha Douglas. Em fevereiro de 1943, um DC-3 chegou para demonstrações. Quatro aeronaves desse tipo foram então encomendadas, todas entregues entre setembro e dezembro de 1943. A empresa começou operando o transporte de passageiros com base no Rio de Janeiro e transportando soldados, de Recife para Fernando de Noronha, para o Ministério do Exército. Outra herança dos tempos do Syndicato Condor foram os trimotores Junker JU.52-3M e os quadrimotores Focke Wulf 200. Ambas aeronaves eram robustas e eficientes, mas, a dificuldade de obter peças de reposição ditou sua rápida substituição por equipamento norte-americano. Em 1946, a Cruzeiro do Sul recebeu 2 quadrimotores Douglas C-54, modificados para a configuração civil DC-4. Um terceiro avião do mesmo tipo foi depois adquirido.

Quando em 1947, o Brasil assinou com os Estados Unidos um acordo de reciprocidade em serviços aéreos comerciais, duas empresas nacionais foram autorizadas a voar para a América do Norte. E a Cruzeiro do Sul foi uma delas. Usando seus DC-4, a empresa chegou a realizar 30 voos experimentais na nova rota, no fim de 1948 e no início de 1949. Mas, seu presidente José Bento Ribeiro Dantas recusou-se a iniciar a operação regular sem subsídio governamental. Por isso, a autorização foi retirada pelo Ministério da Aeronáutica, em maio de 1952, quando a Cruzeiro do Sul tinha já vendido seus DC-4 e comprado bimotores Convair 340 pressurizados. No lugar da Cruzeiro, a VARIG foi autorizada a voar para os Estados Unidos. A Cruzeiro do Sul entrou na “Era do Jato”, com aviões Caravelle adquiridos na França. Dois deles foram matriculados PP-CJB e PP-PDZ. Posteriormente, ela usou jatos Boeing B.737-200, B.727, AIRBUS A.300 e até um DC-9-80, temporariamente empregado à título experimental.

Em 1965, arrendou, da massa falida da Panair do Brasil S.A., cinco aeronaves CATALINA (dois PBY-5A, um PBY-6A, e dois CANSO A), mantidos em operação nas mesmas rotas amazônicas da Panair, até 1968.

Em 1975, a VARIG assumiu o controle da Cruzeiro do Sul, numa operação muito controvertida. Adquiriu suas ações a Cr$ 0,83 cada, enquanto as da própria VARIG estavam então cotadas entre Cr$ 0,70 e Cr$ 0,80. Mas, a Cruzeiro estava em situação de quase insolvência e a venda só foi autorizada pelo Ministério da Aeronáutica depois que uma peritagem, por ele encomendada, mostrou que a Cruzeiro havia acumulado Cr$ 50 milhões de dívidas já vencidas e outros Cr$ 300 milhões de dívidas a vencer.

AERONAVES:

Canso A Catalina – Prefixo PP-PCX (CN CV-240, IDT Original 9806 RCAF) Modelo PBV-1

O primeiro registro conhecido desta aeronave é datado de 05 de abril de 1943, ao ser entregue para o Eastern Air Command. Operado como transporte, de 25 de abril a 17 de junho de 1943, no Esquadrão Nº 117 (BR), na Nova Escócia e Quebec/CANADÁ. Codificado “M” e denominado "Princess Alice". Adquirido pela Panair do Brasil, em 05 de dezembro de 1947, da Charles Babb Company and Canadian Vickers, recebendo a matrícula PP-PCX. Batizado de "Bandeirante Antonio Pedroso de Alvarenga" na Empresa. Após o fechamento da Panair, em 1965, foi arrendado à Serviços Aéreos Cruzeiro do Sul, pela massa falida da Panair. Estocado, em 10 de fevereiro de 1965, em Belém/PA, não chegou a entrar em operação na Empresa. Com a extinção da Cruzeiro do Sul, foivendido ao Ministério da Aeronáutica, em 1969, e registrado como CA-10 6553. Não chegou a entrar em serviço na FAB, sendo desmontado para aproveitamento de componentes, peças, acessórios, e equipamentos. Último registro na War Assets Corporation: 18 de novembro de1946 – “written off”.

Consta do Registro Aeronáutico Brasileiro – RAB como um CONSOLIDATED PBY-6A CATALINA Serial Number CV240 com a matrícula PP-ABD.

CONSOLIDATED PBY-6A CATALINA – MATRÍCULA PP-ABD – SERIAL NUMBER CV240

Consta do Registro Aeronáutico Brasileiro – RAB como um CONSOLIDATED PBY-5A CATALINA Serial Number CV240 com a matrícula PP-PCX.

CONSOLIDATED PBY-5A CATALINA – MATRÍCULA PP-PCX – SERIAL NUMBER CV240

Canso A Catalina – Prefixo PP-PCW (CN CV-429, IDT Original 11090 RCAF) Modelo PBV-1

O primeiro registro conhecido desta aeronave é datado de 27 de setembro de 1944, ao ser entregue para o Eastern Air Command e incorporado ao Esquadrão Nº 162 (BR) na Islândia. Adquirido pela Panair do Brasil, em 11 de setembro de 1947, da Charles Babb Company and Canadian Vickers, sendo registrado como PP-PCW e batizado como “Bandeirante Pedro Teixeira” na Empresa. Com o fechamento da PANAIR, foi entregue – por arrendamento da massa falida da Panair – à Serviços Aéreos Cruzeiro do Sul, em 22 de junho de 1965.

Em 17 de outubro de 1968, levando a bordo cinco tripulantes e nove passageiros, na amerissagem, no Rio Purus, às 14:05 hora local, defronte da localidade de Canutama/AM, logo após tocar n’água, bateu com um dos flutuadores num obstáculo submerso. A aeronave afundou, causando a morte de quatro passageiros que não conseguiram abandoná-la a tempo.

PBY-5A Catalina – Prefixo PP-PDR (CN 1781, BuNo 48419 U.S. Navy)

Adquirido, nos EUA, com a matrícula americana N95AAC, em 31 de dezembro de 1957, foi registrado com a matrícula inicial PP-ABC para a Panair do Brasil, e chegou a São Paulo, em 1958. Recebida nova matrícula PP-PDR, foi batizado como “Pedro Vaz de Barros” na Empresa. Após o fechamento da Panair, em 1965, foi arrendado, mediante leasing com a massa falida, à Serviços Aéreos Cruzeiro do Sul e estocado, em 10 de fevereiro de 1965, em Belém/PA, não chegando a entrar em operação. Com a extinção da Cruzeiro do Sul, foi vendido ao Ministério da Aeronáutica, em 1969, registrado como CA-10 6554 no Inventário da Força Aérea Brasileira (FAB) e incluído como orgânico do 1º Esquadrão de Transporte Aéreo, sediado em Belém/PA. Não chegou a entrar em serviço na FAB, sendo desmontado para aproveitamento de componentes, peças, acessórios, e equipamentos. Descarregado do inventário da FAB em 1978.

PBY-6A Catalina – Prefixo PP-PEB (CN 2007, BuNo 46643 U.S. Navy)

PPPEB2

Com a matrícula norte-americana N9556C, foi adquirido da Aircraft Instruments Corporation - AIC pela Empresa Agropecuária Guaporé, tendo sido lavrado o respectivo “Bil of Sale” pela AIC. Feita a reserva da marca PT-BBQ e concedida a matrícula para o traslado, a aeronave chegou a São Paulo/SP, em 26 de abril de 1958, já com a matrícula PT-BBQ. Foi vendido à Empresa Panair do Brasil S.A., através de leasing, onde recebeu a matrícula PP-PEB e foi batizado com o nome “Bandeirante Antônio Dias Adorno”. Após o fechamento da Panair, em 1965, foi arrendado à Serviços Aéreos Cruzeiro do Sul, mediante leasing com a massa falida da Panair, em 28 de junho de 1965, sendo registrado na nova operadora em 01 de julho de 1965. Com a extinção da Cruzeiro do Sul, foi vendido ao Ministério da Aeronáutica, recebendo a matrícula CA-10 6552. Voou até 1982 quando, pela desativação desse tipo de aeronave do acervo da FAB, foi descarregado do inventário e passou a pertencer ao acervo histórico do Comando da Aeronáutica. Encontra-se na Base Aérea de Belém, em Belém/PA, por decisão judicial, sendo seu fiel depositário o Cmt. do Primeiro Comando Aéreo Regional. Está estacionado no antigo Hangar do 1º/2º GAV e participa, em exposição estática, de todos os eventos comemorativos de datas festivas daquela Base Aérea.

Consta do Registro Aeronáutico Brasileiro – RAB como um CONSOLIDATED PBY-6A CATALINA Serial Number 2007 com a Matrícula PT-BBQ.

CONSOLIDATED PBY-6A CATALINA – MATRÍCULA PT-BBQ – SERIAL NUMBER 2007

PBY-5A Catalina – Prefixo PP-PEC (CN 91-887, BuNo 08068 U.S. Navy)

Com a matrícula norte-americana N6470C, foi adquirido pela Panair do Brasil, na década de cinquenta, chegando ao Brasil com a matrícula PT-BBO. Matriculado para a Panair como PP-PEC, foi batizado com o nome “Bandeirante Aleixo Garcia”. Após a falência da Panair, em 1965, foi arrendado à Serviços Aéreos Cruzeiro do Sul e entregue em 14 de setembro de 1965. Acidentado, no município de Porto das Pedras, na Ilha de Marajó, em Belém/PA, durante voo de cheque de hidroaviação do Cmt. Malveira, em 19 de outubro de 1966, com falecimento dos quatro tripulantes (Piloto-Instrutor Cmt. Washington Senna Malveira, Piloto Cmt. José dos Santos Garcia, Checador da FAB 1º Ten. Av. Deusdedit Carlos da Silva, e o quarto tripulante não identificado).

Consta do Registro Aeronáutico Brasileiro – RAB como um CONSOLIDATED PBY-5A CATALINA Serial Number 91 com a Matrícula PT-BBO.

CONSOLIDATED PBY-5A CATALINA – MATRÍCULA PT-BBO – SERIAL NUMBER 91

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