Abril de 1972 – O 1º Esquadrão de Transporte Aéreo (1º ETA) recebeu ordem do 1º Comando Aéreo Regional (1º COMAR) para realizar uma Missão Extra, com aeronave CATALINA, conduzindo um Oficial General do Exército Brasileiro e comitiva em visita de inspeção a Unidades da Força na Amazônia.

Não havendo aeronave disponível para a Missão, foram intensificados os serviços do Esquadrão de Suprimento e Manutenção da Base Aérea de Belém (ESM/BABE) na revisão do CA-10A 6514, sendo dado como pronta após as 22:00 horas do dia 12/04 – véspera da viagem.

Em instrução de hidroaviação, na Baía de Guajará – Belém/PA, em 1970

No dia 13 Abr. 1972, tendo a bordo o General de Divisão Abdon SenaSubchefe do Estado-Maior do Exército e sua comitiva, decolou do aeródromo de Val-de-Cans para cumprir as etapas do primeiro dia da Missão – Belém/Marabá/Humaitá/Manaus – com a seguinte tripulação:

Ten Cel Av Carlos Roberto GOMES RIBEIRO – 1P

Maj Av Celio SEDA – 2P

2S QAV Jorge CANTANHEDE França – 1º MEC

3S QAV Paulo de Oliveira ESMELINDRO – 2º MEC

3S QRT VO Luiz Raimundo FARIA - 1º RT

Após a visita de inspeção no Destacamento do Exército, em Marabá/PA, realizada pela comitiva, e do conhecimento dos resultados obtidos com a Operação AXIXÁ (1*), a aeronave seguiu para Humaitá/AM, localizada na margem esquerda do Rio Madeira e a cerca de quinhentos e noventa e um quilômetros de Manaus em linha reta.

Em Humaitá, o Gen Div Abdon Sena e sua comitiva visitaram as improvisadas instalações de Unidades do 5º Batalhão de Engenharia de Construção (5º BEC) ali desdobradas e tomaram conhecimento das providências em curso para adaptar os barracões existentes e deixá-los em condições de receber para operação a 3ª Companhia do 1º Batalhão de Infantaria de Selva, sediado em Manaus (2*).

Às 17:06Z, o CA-10A 6514 descolou do Rio Madeira, defronte da cidade de Humaitá, com destino a Manaus. Por volta das 17:30Z, já sobrevoando a selva, pararam os dois motores! A tripulação realizou os procedimentos para colocá-los em funcionamento, sem resultados satisfatórios... A aeronave caiu na floresta densa, chocando-se com árvores de aproximadamente trinta metros de altura. Na ocasião, além da tripulação, a aeronave transportava dez passageiros, que escaparam ilesos. No acidente, faleceu um dos Pilotos – o Maj Av Celio SEDA. Os demais tripulantes sofreram ferimentos e lesões e foram hospitalizados em Manaus.

O 6514 na clareira aberta com a queda e o UH-1H de Resgate do 2º/10º GAv pousado

Operação CATÁ: Em junho de 1972, em Belém/PA, foi organizada uma Equipe para proceder à investigação do acidente. Desde Humaitá/AM, onde foi desembarcada, a Equipe progrediu, em meio à rusticidade da selva, durante oito dias, utilizando os transportes característicos da região (lanchas e caíques) e em deslocamentos a pé, sem conseguir encontrar o local do acidente, tendo que encerrar a missão e regressar a Belém. Face ao insucesso da expedição, foi organizada outra, em abril de 1973, desta vez com o apoio de um helicóptero UH-1D do 4° EMRA, de Santa-Maria/RS. De Humaitá, homens e material foram transportados, pelo UH-1D, até o local do acidente e daí resgatados, após ter desmontado o sistema de combustível da aeronave e recolhido todos os componentes para análise sobre as possíveis causas materiais da parada dos motores. Com o regresso dessa Equipe a Belém e a entrega dos componentes retirados da aeronave, a “Operação Catá” foi considerada encerrada, com êxito. O Inquérito de Acidente Aeronáutico (IAA) concluiu ter havido falha da válvula de corte manual do sistema de combustível, acarretando a parada dos motores da aeronave.

Integrantes da Equipe de Investigação na clareira (da esquerda para a direita: 2S QAT MAV AMINTAS, Cap Av ÁVILA, 2S QAT HE CALDAS, 3S QAT SE GARCIA, e 1º Ten ARARIBOIA – do PARASAR)

Neide Sebastião Portela de Ávila

(1*) – Operação realizada, entre 27 de março e 12 de abril de 1072, com ação coordenada do Exército composta por militares pertencentes a diferentes Unidades, cujos quartéis-generais foram instalados em Marabá e Xambioá, com objetivo de identificar e combater um foco de guerrilha instalado na região do Araguaia.

(2*) – A Portaria Ministerial nº 022, de 10 de julho de 1973, transformou a 3ª Companhia do 1º Batalhão de Infantaria de Selva em 1ª Companhia do 54ª Batalhão de Infantaria de Selva, a qual foi instalada provisoriamente nas dependências do 1º Batalhão de Infantaria de Selva, em Manaus/AM, por não existirem condições ideais de instalação em Humaitá. O Destacamento Precursor do 54º Batalhão de Infantaria de Selva (54º BIS), inicialmente composto por elementos da 3ª Companhia de Fuzileiros de Selva do 1º Batalhão de Infantaria de Selva (3ª/54º BIS), chegou a Humaitá, no dia 27 Set. 73, ocupando barracões adaptados de Unidades desdobradas do 5º Batalhão de Engenharia de Construção. Em dezembro do mesmo ano, chegou o restante da Companhia, sendo então instalada a 1ª Companhia de Fuzileiros de Selva do 54º Batalhão de Infantaria de Selva (1ª/54º BIS), sob o comando do Capitão NILTON CORREA LAMPERT, estando subordinada ao Comando Militar da Amazônia/12ª Região Militar.

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Sobre o Autor: Neide Sebastião Portela de Ávila – Cel Av Refm – Nascido, em 03 de novembro de 1942, no Rio de Janeiro/GB. Ingressou na Aeronáutica, em 05 de março de 1960, na Escola Preparatória de Cadetes do Ar, em Barbacena/MG. Formado Aspirante-a-Oficial Aviador, na Escola de Aeronáutica – Campo dos Afonsos, no Rio de Janeiro/RJ, em 20 de dezembro de 1965. Serviu na Amazônia, durante vinte e dois anos, como integrante do efetivo da Base Aérea de Belém (BABE), do 1º Esquadrão de Transporte Aéreo (1º ETA), do Parque de Aeronáutica de Belém (PAMABE), e da Comissão de Aeroportos da Região Amazônica (COMARA), em Belém/PA. Foi Cmt. do 1º ETA, no período de 01 de janeiro de 1981 a 11 de janeiro de 1983, dirigindo e supervisionando inúmeras ações e atividades pertinentes à desativação dos PBY-5A CATALINA da FAB. É autor de vários Artigos, publicados neste Site, e partícipe no detalhamento de outros, registrando fatos vividos no emprego dos CATALINA da FAB na Amazônia.

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