OS PBY-5 CATALINA DA FORÇA AÉREA BRASILEIRA

No decorrer da Segunda Guerra Mundial, com o acirramento dos ataques de submarinos do eixo aos navios brasileiros e aliados em nossas águas territoriais, o governo norte-americano cedeu à FAB, em janeiro de 1943, sete hidroaviões Consolidated PBY-5, para utilização em missões de patrulhamento e antissubmarino. Os aparelhos eram provenientes de esquadrões norte-americanos que já operavam no Brasil e foram entregues por pilotos norte-americanos para a FAB, no Rio de Janeiro/GB, onde foi aprimorado o treinamento operacional das tripulações brasileiras, pois, alguns pilotos já haviam voado o equipamento nos Esquadrões VP americanos.

Essas aeronaves foram distribuídas estrategicamente pelo território nacional, sendo três (BuNo USN 08165, 08166 e 08300) destinadas para o 7º Regimento de Aviação, sediado naBase Aérea de Belém/PA, no Bairro do Souza em Belém/PA, outras três (BuNo USN 08185, 08186 e 08242) para a Unidade Volante do Galeão, sediada na Base Aérea do Galeão, no Rio de Janeiro/GB, e, a sétima (BuNo USN 08243) destacada para o 14º Corpo de Base Aérea de Florianópolis, em Florianópolis/SC. Foram matriculados, inicialmente, como PA-01 a PA-06 e P-4 (que era possivelmente uma matrícula herdada da U. S. NAVY), passando, logo em seguida, para as matrículas de FAB 01 a FAB 07.

Após a guerra, os Catalinas da FAB receberam novas matrículas, sendo inseridos no sistema de quatro números, adotado em julho de 1945. Assim, os aparelhos PBY-5 (hidros) receberam as matrículas de 6500 a 6506 e os PBY-5A (anfíbios) as matrículas de 6507 a 6521. Independente de variante, todos foram designados na FAB como PA-10 (P=Patrulha e A=Anfíbio) e, em alguns casos, somente PBY-5 ou PBY-5A. Com o objetivo de organizar as unidades de patrulha na FAB, o Decreto-Lei N.º 6.796, de 17 de agosto de 1944, criou duas Unidades Aéreas de Patrulha: o 1º Grupo de Patrulha, sediado naBase Aérea de Belém/PA, no Bairro do Souza em Belém/PA, e o 2º Grupo de Patrulha, com sede na Base Aérea do Galeão, sendo este uma evolução da Unidade Volante do Galeão. A partir de 20 de dezembro de 1944, este e os outros cinco PBY-5 (hidro) orgânicos da FAB foram integrados ao 1º Grupo de Patrulha, em Belém/PA, tendo em vista que o PA-10 07 do 14º Corpo de Base Aérea de Florianópolis havia se acidentado, em 04 de abril de 1944, e foi substituído por uma aeronave PBY-5A.

Com a reformulação da sistemática de designação de Unidades Aéreas da FAB, adotada a partir de março de 1947, o 1º Grupo de Patrulha foi transformado no 1º Esquadrão do 2º Grupo de Aviação (1º/2º GAV), de acordo com o Aviso n.º 5, de 1º de abril de 1947. A nova Unidade também recebeu a incumbência de ser a responsável por ministrar a instrução de Aviação de Patrulha na FAB, formando, anualmente, os novos pilotos de patrulha para a Força Aérea Brasileira.

O Núcleo de Parque de Aeronáutica de Belém (NuPARAER/BE) passou a ser o estabelecimento industrial que realizava as grandes revisões nos Catalina, evitando, assim, que esses lentos aviões tivessem que ser deslocados para o Rio de Janeiro, pois o Parque de Aeronáutica dos Afonsos (PAAF) foi o primeiro Parque responsável pelas suas revisões.

Até o ano de 1958, os PBY-5 da FAB foram sendo gradativamente descarregados do inventário por perda total em acidente ou por não ser recomendável a sua recuperação.

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HISTÓRICO DO FAB 6500

FAB 01

PA-01, DEPOIS FAB 01 E PA-10 6500

Matrícula FAB: PA-10 6500                           Modelo: PBY-5

Control Number (CN): 1059                          Identidade Original: BuNo 08165 USN

Cedido à FAB, em janeiro de 1943, pelo governo norte-americano, e distribuído para o 7º Regimento de Aviação, sediado naBase Aérea de Belém/PA, no Bairro do Souza em Belém/PA. No recebimento, pela FAB, em janeiro de 1943, recebeu a matrícula PA-01 e, logo em seguida, a de FAB 01 (o da foto acima).

ACIDENTE COM AERONAVE PA-10 6500

Acidentado, por volta das 07:30P de 31/10/1953, no rio Tocantins, a oito quilômetros da cidade de Marabá/PA, durante missão, tendo como vítimas fatais os:

2º Ten. Av. Carlos Alberto MALCHER,

2º Ten. Av. Manfredo SOTOMANO,

3S QAV Eduardo DUARTE,

3S QAR DARCY Bastos.

Descarga do Inventário da FAB: 19/10/1954 - Acidente Grave com perda total da aeronave.

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HISTÓRICO DO FAB 6501

6501 1A

PA-02 – ARARÁ, NA BAÍA DA GUANABARA/RIO/GB

Matrícula FAB: PA-10 6501                   Modelo: PBY-5

Control Number (CN): 1060                  Identidade Original: BuNo 08166 USN

Cedido à FAB, em janeiro de 1943, pelo governo norte-americano, e distribuído para o 7º Regimento de Aviação, sediado naBase Aérea de Belém/PA, no Bairro do Souza em Belém/PA. No recebimento, pela FAB, em janeiro de 1943, recebeu a matrícula PA-02 e, logo em seguida, a de FAB 02 (o da foto acima).

AFUNDAMENTO DO SUBMARINO ALEMÃO U-199:

No início do mês de julho de 1943, o submarino alemão U-199, comandado pelo Capitão Hans Werner Kraus, começou a atuar no litoral do Estado do Rio de Janeiro, dentro de um programa estabelecido pelo almirantado alemão de afundar os navios mercantes que saiam do porto do Rio de Janeiro, levando matéria-prima para os Estados Unidos ou recebendo material e equipamentos daquele país. O U-199 era o que havia de mais moderno em termos de submarino da marinha alemã, pois já incorporava as experiências da guerra até então. Deslocava 1.200 toneladas, tinha uma autonomia de 44 mil km, era tripulado por 61 homens e possuía canhões de 37 mm e de 20 mm antiaéreos no convés, bem como metralhadoras de grosso calibre para a sua autodefesa. Na noite de 03 de julho, o U-199 abateu um PBM-3 Mariner do VP-74 da U. S. NAVY, que atuava desde a Base Aérea do Galeão. Prosseguindo em sua missão, em 24 de julho, afundou o mercante inglês Henzada e no dia 27 o navio cargueiro norte-americano Charles Peale, que navegava a cerca de 80 km ao sul da cidade do Rio de Janeiro. Como a atuação do U-199 era monitorada pelo sistema de defesa norte-americano e brasileiro, o seu destino foi traçado em 31 de julho, quando navegava na superfície a 100 km ao sul do Rio de Janeiro e preparava-se para atacar o comboio JT3, constituído por cerca de 20 navios mercantes que seguiam para os Estados Unidos. Ao ser detectado, foi lançado um primeiro ataque com um avião PBM-3 Mariner do VP-74, comandado pelo Tenente Smith, que lançou duas bombas de profundidade e efetuou várias rajadas com suas metralhadoras. Esse primeiro ataque acarretou danos ao leme de profundidade do submarino, impedindo-o de submergir, mas não o suficiente para colocá-lo fora de ação. O segundo ataque foi realizado por um aparelho Lockheed A-28A Hudson da FAB, pertencente à Unidade Volante do Galeão (UVG), que empregou duas bombas MK17 e utilizou as metralhadoras .30 de nariz. As bombas caíram apenas próximas do submarino, mas, o uso das metralhadoras, em dois sobrevôos, ocasionou muitas baixas nos operadores mais experientes das armas antiaéreas do convés do submarino. Porém, o destino do U-199 foi decidido pelo PBY-5 Catalina da FAB, matriculado PA-02 e pilotado pelo 2º Tenente-Aviador Alberto Martins Torres, que foi acionado pelo Major José Kahl Filho, o então Comandante da UVG. O PA-02 estava executando uma missão de varredura nas proximidades de Cabo Frio e se dirigiu à área onde se encontrava o U-199 para atacá-lo. O Catalina efetuou uma primeira passagem e conseguiu três impactos diretos de bombas de profundidade, que estavam com suas espoletas hidrostáticas sincronizadas, e outro lançamento certeiro com a 4ª bomba, selou o destino do U-199 que afundou na posição de coordenadas 23°54'S e 42°54'W. O PA-2 lançou vários botes salva-vidas para os 12 tripulantes do submarino que sobreviveram ao ataque, inclusive o seu comandante, o Capitão Kraus. Os alemães foram resgatados pelo destróier norte-americano Barnegat, que os transportou até o Rio de Janeiro; em seguida, os sobreviventes alemães foram levados para Recife onde ficaram internados em um campo norte-americano de prisioneiros de guerra.

O Catalina PA-2 estava tripulado pelos seguintes militares:

- Piloto: Aspirante Aviador Alberto Martins Torres;

- 2º piloto: 2º Tenente Aviador José Carlos de Miranda Corrêa;

- Navegador 1: Capitão Aviador José Maria Mendes Coutinho Marques;

- Navegador 2: 1º Tenente Aviador Luis Gomes Ribeiro;

- Operador de Rádio: 1º Sargento Sebastião Rodrigues Domingues;

- Mecânico de Bordo: 3º Sargento Gelson Albernaz Muniz;

- Operador de Armamento: 3º Sargento Manuel Catarino dos Santos;

- Auxiliar: Cabo Raimundo Henrique Freitas; e

- Auxiliar: Soldado de 1ª Classe Enísio Silva.

Posteriormente, em 28 de agosto de 1943, o Catalina PA-02 foi batizado com o nome "Arará", homenageando um dos navios mercantes nacionais que fora afundado por submarinos do Eixo. O afundamento do U-199 pelos aviões da FAB é considerado como o mais importante feito realizado pela Jovem Arma no Teatro de Operações do Atlântico Sul.

O Arará também ostentava os seguintes dizeres em seu estabilizador: “Doado à FAB pelo povo Carioca.

FAB 02 DETALHE CAUDA

PA-02 – ARARÁ, DETALHE DA CAUDA

Descarga do Inventário da FAB: 17/03/1958. NRR – Não Recomendável a Recuperação.

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HISTÓRICO DO FAB 6502

Matrícula FAB: PA-10 6502                   Modelo: PBY-5

Control Number (CN): 1079                  Identidade Original: BuNo 08185 USN

Cedido à FAB, em janeiro de 1943, pelo governo norte-americano, e distribuído para a Unidade Volante do Galeão, sediada na Base Aérea do Galeão, no Rio de Janeiro/GB. No recebimento, pela FAB, em janeiro de 1943, recebeu a matrícula PA-03 e, logo em seguida, a de FAB 03.

ACIDENTE COM AERONAVE PA-10

Acidentado, em 19/11/1947, em pouso de emergência em um buritizal, na área da Fazenda Aquiqui, no município de Porto de Moz/PA, realizando viagem regular de transporte do Correio da Rota Amazônica, tendo como vítimas fatais os:

2º Ten. Av. Carlos Eduardo Porto,

2º Ten. Av. Uytalo Torquato da Silva,

Asp. Av. Antônio Carlos Homem de Carvalho,

Asp. Av. Orestes Polizzi,

Asp. Av. Stefan Herman Félix Blanck,

SO QAR Manoel Basílio Rodrigues,

1S QAR Viriato dos Anjos Proença,

1S QAV Carlos Alberto de Melo Brandão,

2S QRT VO Amaury Gonçalves Botelho,

2S QAV Dulphe Bentes Marinho,

3S QRT VO Jorge Bonifácio,

SOLDADO Antônio Motta,

SOLDADO Balkar Mello de Sá Peixoto,

SOLDADO Rodolfo Luna,

SOLDADO Sebastião Sampaio,

SOLDADO Wilson Barbosa.

Descarga do Inventário da FAB: 16/03/1948 - Acidente Grave com perda total da aeronave.

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HISTÓRICO DO FAB 6503

FAB 04

O FAB 04, DEPOIS PA-10 6503

Matrícula FAB: PA-10 6503           Modelo: PBY-5

Control Number (CN): 1080          Identidade Original: BuNo 08186 USN

Cedido à FAB, em janeiro de 1943, pelo governo norte-americano, e distribuído para a Unidade Volante do Galeão, sediada na Base Aérea do Galeão, no Rio de Janeiro/GB. No recebimento, pela FAB, em janeiro de 1943, recebeu a matrícula PA-04 e, logo em seguida, a de FAB 04.

Descarga do Inventário da FAB: 04/02/1952. NRR – Não Recomendável a Recuperação.

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HISTÓRICO DO FAB 6504

6504

FAB 05 NA VÉSPERA DA VIAGEM PARA OS EUA, ONDE DESAPARECEU

(NA FOTO O 2º TEN. AV. GERALDO E SUA ESPOSA LAÍS)

Matrícula FAB: PA-10 6504           Modelo: PBY-5

Control Number (CN): 1136          Identidade Original: BuNo 08242 USN

Cedido à FAB, em janeiro de 1943, pelo governo norte-americano, e distribuído para a Unidade Volante do Galeão, sediada na Base Aérea do Galeão, no Rio de Janeiro/GB. No recebimento, pela FAB, em janeiro de 1943, recebeu a matrícula PA-05 e, logo em seguida, a de FAB 05.

ACIDENTE COM AERONAVE PBY-5 FAB 05

Acidentado, às 15:00P de 03/07/1945, em Wilmington – North Carolina/USA, quando se deslocava para a Filadélfia/USA, onde realizaria uma revisão geral IRAN, vitimando todos os seus tripulantes:

2º Ten. Av. Geraldo Monteiro Flores,

Asp. Av. Haroldo Vicente Franze,

1S QRT TE Pedro de Souza Garcia,

2S QAR Jorge Alves dos Santos,

2S QRT TE Lourival Gomes da Silva,

3S QFT Romeu Cardoso da Silva.

Descarga do Inventário da FAB: Embora acidentado, em 03 de julho de 1945, com perda total da aeronave, recebeu a nova matrícula de PA-10 6504, com a qual foi descarregado do inventário da FAB em 24 de outubro de 1945.

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HISTÓRICO DO FAB 6505

Matrícula FAB: FAB 07                  Modelo: PBY-5

Control Number (CN): 1137          Identidade Original: BuNo 08243 USN

Cedido à FAB, em janeiro de 1943, pelo governo norte-americano, e destacado para o 14º Corpo de Base Aérea de Florianópolis, em Florianópolis/SC. No recebimento, pela FAB, em janeiro de 1943, recebeu a matrícula P-4 e, logo em seguida, a de FAB 07. Embora acidentado, em 04/04/1944, em Florianópolis/SC, e descarregado do Inventário da FAB, em 25/10/1944, provavelmente foi considerado como o PA-10 6505 no sistema adotado em julho de 1945.

ACIDENTE COM AERONAVE FAB 07

Acidentado, em 04/04/1944, em Florianópolis/SC.

Descarga do Inventário da FAB: 25/10/1944 - Acidente Grave com perda total da aeronave.

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HISTÓRICO DO FAB 6506

Matrícula FAB: PA-10 6506           Modelo: PBY-5

Control Number (CN): 1214          Identidade Original: BuNo 08300 USN

Cedido à FAB, em janeiro de 1943, pelo governo norte-americano, e distribuído para o 7º Regimento de Aviação, sediado naBase Aérea de Belém/PA, no Bairro do Souza em Belém/PA. No recebimento, pela FAB, em janeiro de 1943, recebeu a matrícula PA-04 e, logo em seguida, a de FAB 04.

Descarga do Inventário da FAB: 17/03/1958. NRR – Não Recomendável a Recuperação.

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