Pedro Eustáquio Frazão COLLARES: um desses entes fantásticos que, além de vivenciar o ideal de bem servir à Amazônia e ao Brasil, durante toda a sua carreira profissional na Força Aérea Brasileira (1959/1970), soube tão bem registrar momentos marcantes da vida de “Catalineiro” (*1), pinçados de um cotidiano rico de fatos inusitados e de tipos inesquecíveis, que transformou, com sensibilidade literária, em prosa e em verso, nas realistas estórias e nos romanceados “causos” de sua obra.

Numa forma agradável à leitura, em sua Coletânea titulada “Antes que a memória se vá”, muitos fatos vividos durante a operação dos PBY-5A CATALINA e dos C-47 DOUGLAS da FAB nos rincões amazônicos e noutras plagas, tanto prendem a atenção nas peculiaridades do seu desenrolar quanto no aguardar do seu desfecho; e, outros, tocam o sentimento na constatação da sofrida realidade do ribeirinho amazônida...

Na caracterização do ambiente, as estórias e os “causos” contados ora retratam os diferentes cenários do 1º/2º Grupo de Aviação – Unidade de Transporte da FAB operadora dos CATALINA e DOUGLAS na Amazônia, sediado na Base Aérea de Belém/PA – ora passeiam pela evocação de inúmeros locais, cujas comunidades – 93 (noventa e três), em 1958, eram atendidas pelas 12 (doze) Linhas do Correio Aéreo Nacional da Amazônia (CANAM), criado nesse ano, em percursos que totalizavam 67.271 quilômetros, seguindo as calhas dos principais rios da Região, a partir de Belém/PA e de Manaus/AM, com frequências semanal, quinzenal e mensal.

E, num preito de homenagem aos tantos heróis anônimos desse imaginário e com aguçado senso de humor, nos leva a conhecer características de alguns deles em suas lides catalineiras...

Na parte final da obra o Autor reúne alguns ensaios sobre personalidades polêmicas e outros com enfoque sócio-políticos.

Seu público-alvo extrapola os ainda remanescentes da Comunidade Catalineira e o conteúdo da obra é endereçado a aqueles que buscam conhecer o que não pode ser encontrado em documentos oficiais ou ainda não está disponível na internet, ou seja, pertence aos arquivos das memórias e dos corações de seus detentores.

Nota:

(*1) – “CATALINEIRO – Ente fantástico, surgido na Amazônia, híbrido de homem e máquina. Os primeiros registros de sua existência remontam à década de 40. Tem como principais características ultrapassar limitações técnico-operacionais, enfrentar adversidades da natureza e enfrentar desafios. Seu objetivo primário é o de assistir as populações desvalidas da Região Amazônica e os bravos componentes dos Pelotões de Fronteira. Suas aparições deixaram de ser registradas a partir dos anos 80, indicando o final do seu ciclo material. Como legado a aqueles que o sucederam, deixou o desapego a seus interesses pessoais e o comprometimento com o ideal de bem servir à Amazônia e ao Brasil”.

(*1) – Definição criada pelo Coronel Aviador Mario Kallfelz – um Catalineiro, em mensagem enviada por ocasião da criação da Associação Brasileira de Catalineiros, em 17 de agosto de 2007.

Na interpretação real, Catalineiro é todo aquele que participou do emprego das aeronaves CATALINA PBY-5, PBY-5A, e CANSO, no Brasil, e pelos DOUGLAS C-47 ou DC-3, na Amazônia, seja na Força Aérea Brasileira seja nas Empresas de Aviação Civil.

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OBS.:Da Coletânea “ANTES QUE A MEMÓRIA SE VÁ” de autoria do Cap. QAV Refm Pedro Eustáquio Frazão COLLARES.

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