Com o advento da concessão de parte da Gratificação de Serviço Aéreo ao pessoal de terra (militares de manutenção e outros serviços, não obrigados ao voo), sugerimos ao nosso Comandante do 1º/2º GAv. – o então Maj. Av. Theo Carlos TREPTOW – a criação de uma escala de voo para o nosso pessoal do Esquadrão fazer jus a esse benefício, voando como Tripulante-Extra nas Missões do Esquadrão.

Com isso, conseguimos uma bela dor de cabeça com o pessoal que só queria ser escalado para participar dos voos destinados ao Rio de Janeiro e a São Paulo.

A nossa sala, localizada no Hangar do 1º/2º GAv., era constantemente visitada pelos pretendentes, para conhecer o programa das viagens e os seus destinos, a sua posição nas escalas, e, se possível, “furar a fila”...

Apesar dos pesares, o programa estava funcionando e o pessoal fazendo suas horas previstas de voo.

Numa certa tarde, chega ao Hangar um “gozador” e espalha um “bizu”: – “Acaba de chegar à Seção de Operações do Esquadrão uma Ordem de Missão para o Rio de Janeiro!” E afirmava que vira com os próprios olhos a Ordem: EXTRA SBGB.

Ele aludia às letras GB que formavam a sigla do hoje extinto Estado da Guanabara, cuja capital era o Rio de Janeiro.

Os candidatos logo acorreram à Seção de Operações, confirmaram a “EXTRA SBGB” e, “por trás dos panos”, começaram as gestões para serem escalados nessa viagem...

De repente, chega à nossa sala o 2S QAT HE “Mandu”, dizendo-se o mais antigo da relação dos concorrentes e, portanto, o “da vez”. Estava aplicada a CHAVE DE GALÃO!

Aí, resolvemos pregar uma peça no “antigão”: o colocamos como Tripulante-Extra nessa viagem que exigia fazer!

Só que do Manual de Indicativos de Localidades Brasileiras, de forma clara, constava: SBGB – Gilbués/Piauí!!!

Gilbues

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OBS.:Da Coletânea “ANTES QUE A MEMÓRIA SE VÁ” de autoria do Cap. QAV Refm Pedro Eustáquio Frazão COLLARES.

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