No nosso 1°/2° GAv., na década de sessenta, todo aeronavegante deveria ser aprovado no Curso de Adaptação ao CATALINA PBY-5A. Esse treinamento, devido à natureza da aeronave, tinha grande ênfase na parte de hidroaviação, pois, em grande parte das missões, operava-se em rios da Amazônia.

Juntamente com a Inspeção de Saúde em dia, esse era o pré-requisito para o pessoal de voo ser incluído na escala de viagens do Correio Aéreo Nacional da Amazônia (CANAM).

Na alegre expectativa da primeira viagem como tripulante formal do CATALINA, aos 2P, 2MC, e 2RT urgia cumprir a tradição do Esquadrão pela qual, no primeiro pernoite em Manaus, o novel operador deveria pagar uma peixada amazonense para a tripulação (usualmente, no restaurante Canto da Alvorada). As sobremesas e bebidas consumidas eram pagas pelos demais tripulantes. Os "novinhos" eram sempre alvos de gozações tais como: levar paletó e gravata para usá-los em locais como Cucuí/AM, então sede do 4º Pelotão Especial de Fronteira do nosso Exército – no Alto Rio Negro, e/ou Letícia, cidade na Colômbia fronteiriça a Tabatinga/AM – no Rio Solimões.

Cucuí Cmt

O Comandante do 4º PelFront, em Cucuí, e/ou o Cônsul do Brasil, em Letícia, prestigiavam a gozação dando as boas vindas aos iniciados. Neste particular, o mais usual era a sempre voluntária participação do amazonense Dr. Ozéas Martins – por muitos anos no cargo de Cônsul brasileiro em Letícia.

Leticia Tabatinga                                                       Vista aérea de Letícia/Colômbia e Tabatinga/Brasil(Foto 2006)

Lembro-me de certa tarde ensolarada, quando surge, na porta do Vice-Consulado, o “Dom Ratão”, todo de fatiota e engravatado, portando um memorando de apresentação ao cônsul com o seguinte teor: "Apresentamos-lhe o 3S QAV Márcio Fúlvio Rodrigues que solicita autorização para perambular pelas ruas de Letícia”.

A figura jovem, do iniciado 2MC de CATALINA, vermelho como um pimentão, meio nervoso e com aquele sotaque de português, e os termos do memorando, levaram o velho diplomata a gostosas gargalhadas. Os demais que, na moita, seguiam o novinho, adentraram em seguida para saborear o “scotch” generosamente oferecido pelo Dr. Ozéas a todos.

Esse era o Nosso Bom Humor Amazônida!

Esses éramos e somos Nós Catalineiros!

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OBS.:Da Coletânea “ANTES QUE A MEMÓRIA SE VÁ” de autoria do Cap. QAV Refm Pedro Eustáquio Frazão COLLARES.

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