Foi numa missão “Extra Boa vista”, no C47 2037, com o Cel. Av. MIRANDA, Ten. Av. AQUISTAPACE, 2S QAV MORAES TEIXEIRA, 3S QRT VO SANTANA e eu... Voamos por todas as localidades que tivesse um campo de pouso, em Roraima!

Fomos a locais aonde nunca costumávamos ir, como por exemplo, Tepequem – uma antiga mina de diamantes já extinta, na Serra do Tepequem. Mas, conhecemos o último garimpeiro de sorte que ainda lá vivia... Um peão de seus cinquenta anos de idade que achou a última pedra daquela mina!

TepequemLocalizacao

Não muito legível, mas, está no mapa como Vila Tepequem (dentro da elipse)

Perguntado sobre o que fez com a fortuna que ganhou, disse-nos que nada ganhou, pois, o delegado de polícia da época o prendeu, tomou- lhe a pedra, deu-lhe uma senhora surra, e o mandou embora, com a ameaça de que se falasse muito morreria... Como ele sabia que a ameaça seria cumprida, calou-se e o papo morreu aí! Quando isso aconteceu ele devia ter uns vinte e poucos anos de idade...

Pousamos também num lugar meio deserto, chamado Contão, onde um touro bravo invadiu o local onde íamos estacionar o avião, postou- se em posição de ataque e só tivemos que cortar os motores para evitar males maiores, enquanto a turma de casa enxotava o valente para longe...

ContaoRoraima

Mas, o ponto alto dessas jornadas, foi uma serenata organizada pelo Cel. MIRANDA com uns amigos seus lá de Boa Vista – de outros carnavais!

Nós outros estávamos escalados para acompanhar a seresta, cantar o que soubéssemos ou tocar algum instrumento de percussão, tal como caixa de fósforos ou alguma lata vazia... e, tomar as biritas que rolassem!

Depois de percorrer várias ruas desertas e a noite se prolongando, chegamos na frente do Cemitério da cidade... Eu acho que ele já havia combinado tudo com os seus amigos, e o que rolou foi que os roraimenses deram de presente a ele um anjo de mármore que encimava uma sepultura daquele campo santo.

Daí a serenata tomou o rumo do aeroporto (já de carro), para guardar o “presente” no avião... Assim, tivemos a companhia daquele anjo durante o resto da viagem!

Na chegada ao aeroporto de Belém, ele mandou colocar sua maleta no carro que lá o esperava e recomendou ao Ten. Av. AQUISTAPACE que taxiasse o avião para o estacionamento do Esquadrão...

Agradeceu a todos pela colaboração, deu um “até a próxima”, e se mandou sem o seu presente...

Era um “figuraço” e um “grande manche” o Coronel “Mirandão”!

ISTO ACONTECEU EM 27 DE MARÇO DE 1966

OBS.: “grande manche” – gíria de aviador para se referir a um excelente piloto.

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OBS.:Da Coletânea “ANTES QUE A MEMÓRIA SE VÁ” de autoria do Cap. QAV Refm Pedro Eustáquio Frazão COLLARES.

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