Reviver o passado, através de lembranças trazidas à mente por expressivos relatos de fatos que marcaram a vida dos componentes da aviação militar, na Amazônia, é apenas um dos motivos que fazem convergir dezenas de amigos para reuniões regulares, imbuídos do mesmo espírito de evocação de tantos e tantos sucessos, casos, e “causos”, ocorridos com militares e civis da Força Aérea Brasileira, tanto em sua labuta diária na caserna quanto no cumprimento das missões operacionais de voo por eles realizadas. Integram um coeso e animado grupo de jovens da terceira idade, todos militares na Reserva ou Reformados e civis aposentados.

“São, hoje, engenheiros, médicos, odontólogos, advogados, administradores, empresários, mas, acima de tudo, são ex-tripulantes que levaram civilização, apoio, e todo o tipo de assistência para sobrevivência às comunidades mais isoladas, em toda a Região Amazônica, nos velhos CATALINA e Douglas Dakota; são, também, ex-mantenedores insones e incansáveis nas suas lides nos hangares de manutenção, nas áreas de treinamento operacional, nas Estações de Rádio, e que, nos seus misteres específicos, respaldavam e garantiam o sucesso das missões dessa Unidade Aérea, nascida com o nome de 1º Grupo de Patrulha, em 17 de agosto de 1944, batizada como 1º/2º Grupo de Aviação (1º/2º GAv), em 1947, e, diríamos, crismada como 1º Esquadrão de Transporte Aéreo (1º ETA), em 1969”.

Tais reuniões tiveram origem nas confraternizações de fim de ano dos Radiotelegrafistas de Voo (RT VO) do 1º ETA, nos anos 70 e 80. Encontravam-se para trocar ideias sobre assuntos diversos, para recontar as “fichas” das coisas, dos fatos, e das pessoas que, de um modo ou de outro, tinham participação e envolvimento no planejamento e na execução das missões em viagens aos mais longínquos rincões da Amazônia. Falavam de um tudo, descompromissados e ao acaso, distantes da pesada responsabilidade de fazer dar certo todas as tarefas das exaustivas, porém, gratificantes jornadas operacionais vividas; da manutenção trabalhosa e carente de recursos logísticos, porém, sempre extremamente segura e confiável daquelas velhas aeronaves. Aos poucos, alguns Mecânicos de Aeronave (QAV) passaram a integrar, espontaneamente, o grupo inicial de RT VO.

Em uma dessas, realizada na Churrascaria Magnólia, no Km 13 da rodovia BR-316, em Belém/PA, no dia 16 de dezembro de 1989, os então Suboficiais Radiotelegrafistas de Voo FELISBERTO Ribeiro de Souza e Raimundo Emanoel do Nascimento GAMA, 1º Sargentos Radiotelegrafistas de Voo João ALFREDO de Oliveira, Davi Santana DA SILVA, EXPEDITO, e Arnaldo Pereira Lima JÚNIOR, juntamente com o 1º Sargento Mecânico de Avião Daniel Vieira TERNES e o 2º Sargento de Manutenção de Avião Mário Rauda KALIFFE acordaram e decidiram considerar fundada a Associação de Catalineiros, nominando-a como a 1ª Reunião de Catalineiros, registrada de maneira informal no anverso de uma folha A-4 com a foto do CATALINA CANSO A CA10 6527; concordaram, também, em programar as reuniões de Catalineiros para serem realizadas com intervalos de tempo menor que doze meses. E, assim foi feito, a partir da Reunião de setembro de 90, com encontros em setembro de 91, dezembro de 91, setembro de 92, dezembro de 92, junho de 1993, e dezembro de 1993, já então no ambiente acolhedor da Churrascaria Tucuruvi, no Km 3 da rodovia BR-316. Desses eventos, além dos fundadores assíduos, participaram antigos componentes do 1º/2º GAv e da Base Aérea de Belém, como o Suboficial ALDO – gaúcho amigão; o 1º Sargento Mecânico de Voo Antonio SIZO Filho – engenheiro eletricista, ainda atuante em empresa de engenharia local; o Suboficial Mecânico de Voo Newton Gonçalves DUMONT – figura ímpar, sempre bem humorado e detalhista nas suas narrativas de autêntico Catalineiro; o Suboficial Radiotelegrafista de Voo CARNEIRO, que tão efusivamente a todos recebia, nessas ocasiões, e dava sempre um toque de expressiva comicidade nas suas estórias e nos seus “causos”; o GOTTARDO – pouco tempo na FAB, mas, muitas estórias catalinescas para narrar; o CARLOS SOUZA – 2º Sargento BHE (Bom de Hélice); o LIMA – logo deixou a farda, mas ficou com os Catalineiros; o 1º Sargento Mecânico de Voo Gilberto BITAR – empresário da construção civil, sempre diligente e determinado na participação e no apoio aos propósitos congregadores dos Catalineiros; o CALDAS – divertido ex-Presidente do Clube dos Suboficiais e Sargentos da 1ª Zona Aérea; o Suboficial de Sistema Elétrico Carlos Alberto RODRIGUES ALVES – pioneiro nos CATALINAS, desde a década de 40; o 2º Sargento EIMAR – “Tamanduá”, e tantos outros que gravaram suas presenças na consolidação desse grupo de amigos como entidade.

Na Reunião de 05 de março de 1994, foi decidido e realizada a formalização da existência da Associação de Catalineiros, de fato e de direito, em Assembleia Geral de Catalineiros, presidida pelo então Tenente-Coronel Aviador Fernando Carlos dos Santos FERNANDES, Chefe de Gabinete do Primeiro Comando Aéreo Regional (COMAR 1), com aprovação de Estatuto e lavratura de Ata, mas, que não foram registrados em Cartório. Desde essa data, a Associação de Catalineiros esteve sob a presidência do Suboficial TERNES, até seu falecimento, ocorrido em 15 de junho de 2003. Em 06 de março de 2004, foi eleita e empossada nova Diretoria Executiva, tendo como Presidente o Suboficial Controlador de Voo Antônio LEMANSKI.

Desde 1994, o número de participantes no grupo dos Catalineiros vem crescendo. Não só nos almoços de congraçamento, mas, na representatividade em todas as datas festivas da Base Aérea de Belém e do 1º ETA, onde integram o desfile militar nas solenidades comemorativas, e nos lugares reservados nos festejos da Semana da Asa, culminando com o almoço da Turma da Graxa e a confraternização com a Velha Guarda, patrocinados pelo COMAR 1.

Na confraternização, realizada em 10 de março de 2007, na Churrascaria Tucuruvi, foi lançada a ideia de ampliar o universo de interação da Associação de Catalineiros aos radicados fora da área de Belém/PA, onde quer que estejam, sendo apresentada uma minuta de Estatuto para a criação da ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE CATALINEIROS (ABRA-CAT).

A proposta foi apreciada, aprovada e, como resultado, realizou-se, no dia 17 de agosto de 2007, no Rancho dos Oficiais da Base Aérea de Belém, a solenidade de criação da ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE CATALINEIROS (ABRA-CAT), com a aprovação do seu Estatuto e a eleição da Diretoria e do Conselho Fiscal, para o período de agosto a dezembro desse ano.

O evento, transcorrido num ambiente de maravilhoso congraçamento e manifesta camaradagem, contou com a presença de 68 (sessenta e oito) ex-operadores e ex-mantenedores do CATALINA, na FAB, incluindo a honrosa participação de familiares (viúvas, filhos e filhas) de alguns já falecidos e que, em seus nomes, assinaram a lista de presença. Com emoção e saudade, tomaram conhecimento das mensagens de carinho e apreço, enviadas por Oficiais Generais, Oficiais Superiores, e Graduados do nosso convívio de outrora, alguns dos quais fizeram questão de registrar sua presença, através de procuração. O brilhantismo marcante da organização e da execução da cerimônia não teria sido alcançado, da forma como o foi, sem a vibração do engajamento e da dedicação do Comandante da Base Aérea de Belém (BABE) – Coronel Aviador Tarcísio de Aquino Brito VELOSO e dos seus comandados (Oficiais, Graduados e Praças) que, em seus encargos específicos, esmeraram-se, anonimamente, para fazer seus irmãos da Reserva e Reformados se sentirem, novamente, em casa. E, assim, aconteceu...

Foram, também, distinguidos pela presença do Major-Brigadeiro-do Ar OSWALDO José de Oliveira - Comandante do COMAR I, que presidiu a Reunião, do Coronel VELOSO – Comandante da BABE, do Tenente-Coronel Aviador Mauro Luiz XAVIER da Silva - Comandante do 1º ETA, e dos Comandantes do 1º/8º GAv e 3º/7º GAv, sediados na BABE, acompanhados de Oficiais integrantes dos seus efetivos.

A participação e o apoio, nos dias atuais, dos Comandantes da Guarnição de Aeronáutica de Belém, traduzidas não só em ações materiais efetivas, mas também, nas manifestações de consideração e carinho dispensadas a todos os Catalineiros, muito prestigia e enobrece os integrantes da Aviação de Catalina, na FAB, seus precursores na incomensurável responsabilidade de integrar o território e garantir a soberania na vastidão Amazônica.

Mas, seguindo o curso normal da Vida, no decorrer desses anos de convívio, muitos amigos o deixaram definitivamente. A eles é dedicada, no início de cada encontro, não o costumeiro minuto de silêncio, mas, por carinhosa sugestão do Presidente da Associação e Mestre de Cerimônias – Suboficial LEMANSKI, uma efusiva e calorosa salva de palmas, como manifestação da alegria de com eles termos vivido e da que certamente compartilharemos quando nos reencontrarmos. 

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Em mensagem aos Amigos Catalineiros, enviada por ocasião da data de criação da ABRA-CAT, o Coronel Aviador Reformado Mario Kallfelz (Tenente Kallfelz, da BABE e do 1º/2º GAv., nos idos de 1962), com carinhosa e feliz sensibilidade, assim se manifestou:

- Como colaboração, atrevo-me a tentar definir CATALINEIRO(quem sabe será até inserido em próxima edição do Aurélio...)

Catalineiro

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Os Catalineiros da Força Aérea Brasileira – Texto extraído, adaptado e ampliado de sinopse de autoria do SO QRT VO Refm João Alfredo de Oliveira, Catalineiro de 1969, um dos fundadores do grupo Associação Brasileira de Catalineiros e Secretário da mesma desde sua criação, com colaboração do Cap. Esp. Av Refm Pedro Eustáquio Frazão Collares, Catalineiro dos anos 60, escritor e poeta, autor da Coletânea “ANTES QUE A MEMÓRIA SE VÁ na qual, em prosa e versos, com muita sensibilidade e expressiva comicidade, apresenta estórias e “causos” sobre o pitoresco e o comovente nas lides dos CATALINAS da Froça Aérea Brasileira com SUA GENTE (da qual restam POUCOS!).

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ATESTADO DO COMPROMISSO DE 16/12/1989

EM 16 de dezembro de 1989, na Churrascaria Magnólia, no Km 13 da rodovia BR-316 – Belém/PA, os então Suboficiais Radiotelegrafistas de Voo Felisberto Ribeiro de Souza e Raimundo Emanoel do Nascimento Gama, 1º Sargentos Radiotelegrafistas de Voo João Alfredo de Oliveira, Davi Santana da Silva, Expedito, e Arnaldo Pereira Lima Júnior, juntamente com o 1º Sargento Mecânico de Avião Daniel Vieira Ternes e 2º Sargento de Manutenção de Avião Mário Rauda Kaliffe, decidiram considerar fundada a Associação de Catalineiros, nominando esta como a 1ª Reunião de Catalineiros, registrada de maneira informal no anverso de uma folha A-4 com a foto do CA10 6527.

Termo do Compromisso (Frente)

Termo frente

Termo do Compromisso (Verso)

Termo verso

 

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