"Adaptado de uma adaptação que foi adaptada de outra adaptação vista atualmente como adaptação de várias adaptações vividas sem o devido reconhecimento.”.

E, para elucidar a sequência de adaptações às quais o Nosso SAINANA se referiu, conheçamos mais uma!

Procura-se um Aviador (adaptação)

Domingo, 26 de Abril de 2009 20:47

De: "João Carlos" Para: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Perdoem-me a ADAPTAÇÃO!

Procura-se um AVIADOR PELICANO:

...nem jovem nem velho, apenas antigo...

...Que tenha sensibilidade para lidar comigo e compreenda minhas manias, pois já estive à beira do desaparecimento e fui ressuscitado – ou conservado – como dizem por aí...

Cada novo pedaço de tela, cada nervura, cada rebite, cada drone, representa cicatrizes dos lanhos de uma vida de voos, amerissagens e pousos, mais rangidos, estalidos e tendências deste meu corpo – ou fuselagem...

Meu piloto poderá falar quando quiser, mas, sobretudo, terá que saber escutar, ouvir e entender os sons que sou capaz de emitir: como o assobio do vento relativo nos meus montantes e estais; o ronco dos meus fiéis motores que, às vezes, espocam e tossem, com um bafo de fumaça negro-azulada.

Procura-se um humano que compreenda meus códigos, que talvez sejam mensagens diluídas pelo tempo e remanescentes de aviadores antigos que me conduziram, ou a outros iguais a mim.

Procura-se um aviador que não se importe com meu cheiro de dope, thinner, graxa e gasolina, também não se melindre quando eu o respingar de óleo.

O aviador que procuro deverá saber extasiar-se com minhas antiquadas bangornadas de asas em céu claro e com as nervosas corcoveadas, próximo aos CB, apenas alegres e espontâneos bailados, sem pretensão a aplausos ou troféus.

Deverá ainda saber usar a bússola e ler uma carta seccional, reconhecendo referências no terreno, curvas nos rios, compensando o vento e mantendo a rota, analisando as nuvens, sem precisar de mostradores elétricos ou eletrônicos.

Este piloto decerto apreciará as pistas de grama e cascalho, no meio de plantações, pastagens, nas estradas pioneiras, e as hidropistas fluviais ou na placidez dum lago...

O aviador que procuro sentirá felicidade infinita em me conduzir, de novo, ao fio d’água do Javari seco, para reverenciar o Pavilhão Nacional, orgulhosamente tremulante do mastro de quariquara na alta barranca do 4º Pelotão de Fronteira, ao espelhado esplendoroso da mansidão do Içana para a recepção carinhosa das freiras e dos índios da Missão Salesiana, à placidez da chegada no Lago de Tefé, e a todos os rincões onde, juntos, compartilhamos momentos inesquecíveis, na Minha Amazônia e desse anônimo PELICANO.

Procura-se um aviador que tenha prazer de voar a qualquer hora, mas, preferindo decolar ao nascer do sol ou a conduzir-me nas luzes mágicas depois do sol poente.

Meu piloto será um saudosista por certo, sobrevivente do tempo em que um avião era uma aeronave e não um foguete com asas, recheado de automatismos.

Este piloto será tido como esquisito, pois será reservado e escondido, com seus sismares, num surrado traje, talvez ainda hoje, manchado de óleo.

Será encontrado, junto com poucos iguais a ele, numa boa conversa de hangar ou, quem sabe, modernamente, em uma confraternização de churrascaria.

O aviador que vier por este anúncio será aquele que procure poesia no Amor à Aviação.

Procura-se este aviador raro, que tenha carinho por mim, a despeito de minha idade, e que, principalmente, não permita que lhe arranquem o romantismo do seu imenso coração!

Interessados dirijam-se ao HANGAR da SAUDADE, no Campo dos Sonhos... – atual local físico: Hangar do 2º/10º GAv na Base Aérea de São Paulo (VIRTUAL) ou na Base Aérea de Florianópolis.

Procurar pelo SAR SA - 16 ALBATROSS (GRUMMAN) FAB 6534!

(Texto original de autor desconhecido)

Adaptação ABRA-CAT (Catalineiros e "Antigos" PELICANOS)

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Sobre o Autor: João Carlos de Oliveira Castro – Cel. Av. Refm – Formado Aspirante a Oficial Aviador, na Escola de Aeronáutica – Campo dos Afonsos, no Estado da Guanabara/RJ, em 14 de janeiro de 1961. Após Estágio de Aeronave Bimotor no 1º/10º Grupo de Aviação, na Base Aérea de São Paulo – Cumbica/SP, iniciou sua carreira profissional, servindo na Amazônia, como integrante do efetivo do 1º/2º Grupo de Aviação (Transporte), em Belém/PA, de Set. de 1962 a Jan. de 1966. Especializado em Busca e Salvamento, no 2º/10º Grupo de Aviação (PELICANO 068), e, em Transporte Aéreo, no 1º/2º Grupo de Transporte (CONDOR 01), Unidade Aérea da qual foi Comandante. Foi Instrutor da Escola de Comando e Estado-Maior da Aeronáutica (ECEMAR) no período de Nov. de 1978 a Mar. de 1981.

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