Mesmo encontrando um “Aviador Catalineiro” que não seja jovem nem tão velho, mas antigo, não consigo encontrar a sensibilidade para atender minhas manias de procurar entender, compreender, e divulgar que ele só existe, com o título lhe outorgado, porque existe O MECÂNICO, O ESPECIALISTA CATALINEIRO que garantiu o não desaparecimento do nosso “CATALINA”!

E como diz o autor de “Procura-se um aviador catalineiro”:cada novo pedaço de tela, cada nervura, cada rebite, cada drone, representa cicatrizes dos lanhos de uma vida de voos, amerissagens e pousos, mais rangidos, estalidos e tendências deste corpo ou fuselagem”.

Só com o aval do ESPECIALISTA, do Mecânico, o Piloto poderia falar e ser ouvido, com a graça destes que garantem a comunicação, em terra e no ar.

Facilmente, o ESPECIALISTA era encontrado para desvendar os códigos de PNA, como mensagens diluídas pela capacidade profissional, para substituir as emoções que emergiam pelo tempo de convivência, deixando aflorar, na atualidade, pela memória que nos conduzem a lugares que,“catalinando”, estivemos lá!

Nunca se importaram os ESPECIALISTAS, com o cheiro do dope, thiner, graxa e gasolina, também não se melindravam quanto aos respingos de óleo do motor ou do sistema hidráulico.

O ESPECIALISTA não necessitava do Aviador para extasiar-se com as antiquadas bargonadas de asas em céu claro e com as nervosas corcoveadas, próximo aos CBs, apenas alegrava-se com o bailado do CATALINA, sem pretensão de aplausos, críticas ou troféus.

Mesmo extravasando, no hangar, dentro do CATALINA, já sentíamos a felicidade para a próxima missão no fio d’água do Javari seco, para reverenciar o Pavilhão Nacional, orgulhosamente tremulante do mastro de Quariquara, no alto barranco do 4º Pelotão de Fronteira; ou no espelhado esplendoroso da mansidão do Içana, com a recepção carinhosa das freiras e dos índios da Missão Salesiana; na chegada à placidez do Lago de Tefé; e, a todos os rincões onde, juntos compartilhávamos momentos inesquecíveis, na nossa Amazônia, neste "Veículo Catalineiro".

No saudosismo reconheço que sou do tempo em que um avião era uma aeronave e não um foguete com asas, recheado de automatismo e o ESPECIALISTA era tido como esquisito, reservado, num surrado traje, acredito que ainda hoje, manchado de óleo, satisfeito em PODER FAZER o CATALINA voar, numa boa conversa de hangar ou, quem sabe, atualmente, numa churrascaria reunidos com outros Catalineiros.

O ESPECIALISTA vivia estas emoções com o Intendente, o Aviador, o Infante, o Médico, deixando aflorar a qualidade profissional com Amor à Aviação.
E aquele CATALINA CA-10 6552 – ainda procura aquele que teve carinho por ele a despeito de sua idade e que, principalmente, não permitiu que lhe arrancasse o romantismo do seu imenso coração.

Os interessados, após as duas leituras, dirijam-se ao HANGAR DA SAUDADE, no Campo dos Sonhos, onde o PARQUE DE MATERIAL DE AERONÁUTICA DE BELÉM, foi pai, mãe, irmão, irmã, e amigo do 1º/2ºGAv, lá na Base Aérea de Belém, responsável pela vida dos CATALINAS na Amazônia, no Brasil, e, atualmente, ainda no mundo!

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Adaptado de uma adaptação que foi adaptada de outra adaptação vista atualmente como adaptação de várias adaptações vividas sem o devido reconhecimento.

José ANANIAS Fernandes

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Sobre o Autor: ver Artigo “MajEspAvAnanias” nesta Categoria


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